OSC 2014

Mais um OSC, muitas novidades, novos amigos e uma linda cidade medieval. Dubrovnik é tudo o que parece e muito mais. Além de ser uma fantástica e autêntica cidade medieval como a dos contos de fadas o seu povo é maravilhoso. O cenário é tão autêntico que foi usado como locação para o seriado Game of Thrones. Castelos na beira de encostas rochosas, vielas super estreitas, casas de pedra e um muro super alto rodeando tudo! Só faltava a ponte levadiça funcionar.

Mas não se engane: ela é bem pequena e não leva mais do que um dia para conhecer cada cantinho e fazer o passeio pelo muro. Importante reservar um par de horas para usar o teleférico e ir até o topo da colina. Ele sai e chega ao lado da cidadela e além da vista privilegiada há um museu dedicado à Guerra. Em 1991 Dubrovnik foi sitiada por forças bósnias e foi duramente bombardeada. O museu, apesar de simples, é um tributo aos heróis de guerra, anônimos e não, que defenderam a cidade.

Essa é uma cidade turística, exclusivamente turística, então todos dominam, pelo menos, o inglês. Mas o que faz toda a diferença é o bom humor e disposição em ajudar. Claro que há gente besta em todo canto, mas foram raras as interações não produtivas.

Bom, mas falar dos humanos, e sair um pouco da receita de folder turístico acima. O OpenSuse Conference tem uma enorme concentração de pessoas de todas as partes do mundo. E isso é provocado com maestria pelos organizadores e em especial pela equipe do TSP – Travel Support Program, que são os que selecionam quantos e quais pessoas serão ajudadas a irem ao evento. A diversidade é impressionante. Mas faz sentido que hajam mais alemães, pois se trata de uma evento patrocinado pela distribuição GNU/Linux SUSE.

Fica aqui meu agradecimento público ao evento e ao STJ por ter me selecionado entre os que solicitaram ajuda. Por conta própria não teria sido possível.

Não me canso de tomar essas doses eventuais de humanidade, no sentido simples da ação desinteressada de ajudar ao próximo. Por mais velado que seja o empenho de tentar dar ares corporativos o evento é feito por um bando de nerds que amam compartilhar o que sabem. Impressionante como a maioria desses gênios acham que sabem muito pouco e por consequência mantém uma simplicidade e humildade contagiante.

O melhor exemplo é o indiano Saurab, um jovem de 23 anos que trás nitidamente toda sua herança cultural, genialidade e humildade. Os que me conhecem sabem que não coaduno com o projeto Google Summer of Code, mas é claro que se trata de um processo seletivo e ter tido diversos projetos selecionados nesse “concurso” é para poucos. Ele é um deles.

O organizador geral do evento, Svebor, croata, humanista, universitário e ferrenho defensor das idéias libertárias do Software Livre, é outro que merece atenção. Sem estrelismo, manteve-se focado e sempre com um sorriso, lidou com todos os problemas que surgem, naturalmente, em eventos. Tendo que gerenciar uma grande equipe de voluntários, contou com a ajuda da experiente equipe de voluntários gregos que vieram em comitiva ao evento.

Mas nem tudo são flores. Infelizmente minha intervenção do ano passado, onde deixei claro que o movimento Software Livre vem sofrendo sistemático ataque, inclusive de supostas empresas amigas como a Canonical e seu famigerado Ubuntu, deixou sequelas mais profundas do que o imaginado: nenhuma de minhas duas propostas de palestras foram aceitas. Uma até chegou a fazer parte da grade, mas depois foi removida. Então fui ao evento como participante e não como palestrante.

Então não pude apresentar o HowTo que fiz sobre como instalar um POD Diáspora no OpenSuse – http://wiki.diasporafundation.org/Install e nem como instalar e configurar um servidor de colaboração com Zimbra.

Confesso que fiquei triste, mas apesar disso mantenho meu posicionamento e acho mesmo que o revolucionários do Software Livre estão ficando frouxos, molengas, preguiçosos e velhos. Estão confortavelmente sentados em seus Facebooks, Gmail, Skype e iPhone. Acharam o equilíbrio entre, a dose certa de ativismo para “idiota ver” e o conforto das redes sociais devassas. Decidiram lutar contra a Matrix vivendo nela, em vez de comer a papinha sintética a bordo da Nabucodonosor. Pobres ignorantes. A revolução não pode ser feita de dentro do sistema. E até Hollywood sabe disso.

O contato direto com as pessoas continua sendo meu forte, e como de costume me mantive fora das salas, no salão principal, conversando com um e com outro, semeando o purismo GNU, do meu próprio jeito.

Os eventos na Europa são pequenos quando comparados com os nossos no Brasil. Afinal de contas Trata-se de uma área geográfica pequena com uma diversidade cultural, acadêmica e tecnológica enorme. Então a especificidade é a regra é juntar 200 pessoas é considerado um sucesso absoluto. Que tal se fizéssemos o mesmo no Brasil? Podemos manter os grandes estandartes como FISL e Latinoware, mas podíamos ter algo como o FLISOL espalhado por todo o país. Esse poderia ser um lindo novo projeto: SOL – iluminando o conhecimento.

O ativismo sempre acha seus caminho para prosseguir e terminei sendo convidado para participar do congresso de FOSS da Croácia, que acontecerá em Zagreb, no próximo mês de junho. Esse é o mais tradicional evento e em sendo organizado exclusivamente pela comunidade, certamente haverá espaço garantido para que eu possa contribuir palestrando.

O certo é que valeu muito a pena ter participado. Ter a paciência e perseverança para transformar é algo que tem seu tempo e eu estou disposto a esperar.
Por quanto tempo o GNU continuará a assombrar a Matrix? Isso depende só de você. Diferente da versão romântica de Hollywood, nesta dimensão não precisamos de um herói, precisamos de um grão de convencimento em cada um.

Sabe como o Gmail virou padrão mundial? Um por um. O que você vai fazer a respeito?

Quanto ao OSC, espero estar lá ano que vem. Regando as sementes que plantei este ano, do mesmo modo que reguei e vi florescerem as sementes que plantei o ajo passado. Hoje já não sou mais desconhecido da comunidade OpenSuse. Nem o GNU.

Saudações Livres!