openSUSE Conference

Este foi um dos eventos mais estranhos dos quais participei. Pare deixar claro: eu adorei o evento, mas foi uma nova experiência para mim. Primeiro vem a parte esperada: muito engajamento dos dois cabeças da organização Kostas e Stella. Interessante como os combinaram perfeitamente, como pão e queijo. Onde um era super protetor o outro não. Conduziram com mestria o evento, como em um interrogatório perfeito, Kostas fez o papel de “bom policial” e restou a Stela o papel oposto.

Já no primeiro dia foi impossível ficar imune ao espírito de coletivismo e trabalho colaborativo e assim Isabel e eu nos voluntariamos para ajudar no processo de cadastramento do evento. Foi legal ajudar pegando camiseta, mochila (sim, todos os inscritos ganharam um mochila do evento) e cordinha do Firefox e entregar para o amigo Zoumpis, que buscava o crachá numa caixa e entregava tudo para o inscrito.

Foram algumas horas fazendo esse papel, tanto que fui chamado de “o especialista das camisetas” por saber de cor onde estava cada tamanho entre as diversas caixas. Muito orgulhoso de poder ter contribuído com um tanto de suor. É como voltar a 2006 quando fizemos o primeiro ENSOL, um por todos e todos por um, free as in freedom e coloque aqui sua frase de efeito preferida 🙂

O evento foi aberto com uma apresentação do amigo George Greeve, ex diretor geral da FSFEU e que atualmente é o CEO da Kolab. Foi muito legal reencontrá-lo depois de mais de 5 anos. Muitos assuntos para colocar em dia, especialmente nosso amadurecimento e muitas trocas de fotos das crianças e da família. Definitivamente estamos virando gente 🙂

Quero dedicar algumas linhas ao fantástico Kostas. Acreditem, ele é antes de tudo um nerd. Mas não um nerd qualquer, ele é bombeiro. Sim ele salva vidas para viver e foi exatamente esse sentimento que o levou a entender e abraçar a filosofia do Software Livre. Seu poder de liderança foi perceptível durante todo o evento e confesso que me vi espelhado nele várias vezes, no empenho, compromisso e aquele certo desespero de quem quer que tudo saia à perfeição, quando se está à frente da organização de um evento como esse. Gostaria muito de que o Kostas viesse ver de perto o Latinoware ou FISL. Vamos convidá-lo?

Mas o bom mesmo é conhecer pessoas especiais, não preciso relacionar o Kostas, está claro o quanto gostei dele, mas há outros. Zoumips, que é  grego e tem um nome super complicado, foi imediatamente apelidado de Zypper, por ser o nome do gerenciados de pacotes do openSUSE. Ele é muito legal e além do mais tem mestrado em Software Livre na Espanha. Sim, um grego que fala espanhol. A sintonia foi imediata e nos tornamos bons companheiros durante todo o evento. O especial Angelos, que tem algum tipo de síndrome que lhe dificulta a fala, e a coordenação motora, mas não as idéias. Brilhante como todos os especiais, me conquistou com seu amplo sorriso e sacadas rápidas sobre codificação. Jovem brilhante com um lindo futuro pela frente. Nessa lista cabe também o Hans, um holandês muito bacana, que foi um dos patrocinadores do evento, mesmo sendo profissional autônomo. Isso sim é o que podemos chamar de “acreditar no negócio”. Inteligente, com um humor sagaz e de bom tom. Como estávamos no mesmo hotel, compartilhamos muitos momentos. É finalmente, foi ótimo reencontrar o velho amigo Carlos Ribeiro, que foi responsável pela criação de todas as artes gráficas do evento. Muito feliz ver seu comprometimento com o Software Livre.

A grade do evento foi eminentemente técnica. Com exceção da minha palestra nenhuma outra tocou no quesito filosofia do software livre de forma explícita. Em se tratando de um evento focado em openSUSE, não podia ser diferente, e a maioria esmagadora das apresentações estavam focadas nessa distribuição. Confesso que senti falta da exaltação provocada pelas abordagens mais politizadas, mas faz parte. Diferente, mas bem legal.

Minha apresentação foi jogado penúltimo dia. A primeira impressão foi de que havia pouca gente na sala, mas trata-se de um evento pequeno e depois me disseram que havia bastante. O evento teve não mais que 300 participantes e não deixemos a megalomania brasileira desvirtuar esse número. Em se tratando de um evento europeu, específico de uma distribuição, o evento foi um sucesso de público. Bom, voltando à minha apresentação, ela foi bem legal. Confesso um certo nervosismo, afinal de contas, a palestra foi em inglês.

Falei sobre o amor embutido no software livre. Com o título de “Ame ao próximo como Stallman ama você” busco deixar claro a diferença motivacional que mantém o Stallman no campo político e filosófico que incomoda os podres poderes, e o mercantilismo que vem dominando o cenário do FOSS – Free and Open Source Software.

É claro que a abordagem e contundência gerou reações. É exatamente disso que se trata: impressionar e fazer pensar. A maioria dos presentes adorou, inclusive o Kostas, que demonstrava seu engajamento a cada momento. Entretanto, uma pessoa comentou no microfone que não tinha gostado e que não via razão para levantar questões como essas em um evento como esse. Fantástico! Como latino americano não estamos acostumados a receber uma negativa de frente, direta e imediata dessa forma. Gelei, mas não podia ter sido melhor, afinal de contas, a unanimidade é burra, certo?

Então, ao que parece, há hora e local para vincular o software à sua filosofia. Vivendo e aprendendo. Mas sinto ter cumprido bem com meu papel de provocador.

Fica aqui o destaque para o Svebor, croata que será o organizador principal da próxima edição do openSUSE Conference que será em Dubrovnik. Sensacional. Espero estar presente, contribuir mais uma vez e conhecer mais uma linda cidade da  Europa.

Meus parabéns a toda a equipe do evento, em especial para Isabel Valverde que do sei jeito direito e produtivo não perde a oportunidade de fomentar o Software Livre e as comunidades em seu entorno. Apesar de qualquer discordância prática, Isabel é uma estrategista, um fenômeno na gestão de pessoas e uma das pessoas mais maravilhosas que conheço. Tens toda minha admiração e respeito.

Saudações Livres!