Desgooglando-me

Faz algumas semanas estávamos Eduardo Santos, Fabrízio Melo e eu trabalhando muito para fazer o lançamento do Software Público Com Br, e em um dos devaneios comuns ao trabalho em equipe Eduardo me fala sobre a ideia de um projeto livre que se chamaria unGoogleMe. O objetivo, como o nome menciona, é criar técnicas para não permitir que o Google se apodere das suas informações. Trocando em miúdos, proteger sua privacidade.

Faz muito que amigos, familiares e até inimigos me cobram por eu não ter uma conta no Facebook. A verdade é que o cara de livro sempre me pareceu uma versão mais feia do Orkut e mesmo para este, minha passagem foi efêmera. Que me desculpem os viciados, mas não tenho tempo para esse tipo de interação mais contundente. È por isso que a agilidade do Twitter me atrai e me cativa até hoje.

Mas passado algum tempo decidi dar uma olhada no “Face” e para isso precisei ler a licença. Esta é tão ferina ou mais do que a licença de todas as demais redes sociais: tudo de graça mas você nos autoriza a monitorar sua vida e comercializar seus costumes. Até ai nada de diferente do Twitter, Gmail, Orkut e qualquer outro. Então quando eu estava pronto para aderir e me entregar sai a notícia: Facebook firma acordo com o FBI permitindo que este famigerado instituto acesso irrestritamente todo o conteúdo de todas as contas de todos os usuários, quando quiser, como quiser, para a finalidade que quiser sem mandado judicial, restrição ou nenhum tipo de interferência. Está claro?

Apesar de não ser um terrorista famoso e sequer um ativista contundente, decidi que não queria minha vida monitorada pelo FBI. Pelo menos não de forma tão acintosa, explícita e simplificada. Uma coisa é que meus dados sejam usados para fins comerciais, mas não de forma política e policial. Especialmente pelo FBI que é famosa pela sua generosidade, humanidade, candura e porque não, santidade?

Depois de alguns dias pensando sobre o termo unGoogleMe percebi que eu tinha muito mais coisas conectadas ao Gmail do que eu gostaria. De alguma forma eu havia cedido aos encantos do Google e tinha me deixado dominar completamente. Apesar de ter um e-mail próprio, domínio próprio e servidor próprio, terminei me enredando completamente na teia do Google: TAM, GOL, Itaú, Credicard, Endomondo, Mercado Livre, Paypal, Linkedin, Serverloft e Dreamhost são alguns exemplos de serviços básicos para os quais eu usava meu e-mail do Gmail para manter contato. Isso sem falar dos documentos de trabalho no Google Docs e do celular e do Tablet que usam Android registrado. Eu, definitivamente, estava tendo minha vida monitorada pelo Google.

Então decidi começar, por conta própria, a minha “desgooglização”. A seguir descrevo os passos que já tomei e onde não estou conseguindo me desconectar, ainda:

  • Todos os serviços regulares nos quais eu tinha meu endereço de e-mail do Gmail cadastrado, o substituí pelo meu endereço pessoal, ou seja, o do meu domínio;
  • Fiz uma conexão IMAP na conta do Gmail através do meu Webmail – Zimbra – e importei todas as mensagens e pastas para a minha conta pessoal;
  • Apaguei todas as mensagens de todas as pastas do Gmail. Até as mensagens enviadas. Caixa postal vazia no Gmail.

Este é um procedimento lento e gradativo. Um trabalho em desenvolvimento e portanto com sérios percalços e problemas até agora desconhecidos e que parecem insolúveis:

  • Como lidar com o Android? Se desconectar da conta do Gmail eles ainda funcionam? Quais os repositórios? Como instalar os programas, etc…
  • Qual é a verdadeira alternativa para o Google Docs?
  • E a sincronização de contatos como Android?

A medida que eu for resolvendo esses impasses vou mostrando como e quanto fiz. Mas, a partir de agora, não quero mais vender minha intimidade, minha privacidade e meus hábitos na web para ninguém. Muito menos por um conjunto bonito de aplicativos.

Será que você não está se vendendo por pouco? Eu estava.

Saudações Livres!

Anahuac de Paula Gil

@anahuacpg

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Originalmente publicado em 26 de janeiro de 2013