Zimbra – Caixas Postais grandes… mas grandes quanto?

20 Gb, apenas 20Gb e nada mais que 20Gb.

Se você ficou surpreso com a resposta seca e direta, então é hora de ler o artigo. Vou tentar explicar como cheguei a esse “número mágico”.

Toda mensagem é importante e desde que os grandes players do mercado criaram as “caixas infinitas” há a percepção de que ela é ilimitada e que não é mais necessário se preocupar com o seu tamanho, mas essa premissa não é correta.

Os sistemas de gerenciamento dos grandes players subdivide a “caixa infinita” em caixas menores para garantir sua integridade e isso é feito de maneira imperceptível para o usuário. Pelo menos esse é o meu palpite porque não temos acessos detalhados às tecnologias que eles utilizam.

O fato é que caixas postais grandes degradam o sistema e deixam o ambiente lento e propenso a falhas graves. O armazenamento de mensagens é feito utilizando índices de posicionamento e bases de dados que se tornam mais propensos a falhas à medida que crescem. Assim, quanto maior uma caixa postal maior o risco de corrupção das tabelas de índices e, portanto, de haver perda de dados.

É importante entender que perder os índices implica, na maioria dos casos, perder a caixa postal completa e não apenas algumas mensagens. Assim começa a ficar claro o tamanho do risco envolvido.

Quando as mensagens são armazenadas localmente em clientes de e-mail são utilizados arquivos PST e similares que são, na verdade, bancos de dados locais. Gerenciar arquivos de dados com 30, 40, 100Gb de tamanho exige muito do computador.

Quando as mensagens são armazenadas no servidor e acessadas via IMAP ou webmail elas são organizadas utilizando tecnologias próprias e que diferem entre os Softwares de servidores de e-mail disponíveis no mercado.

O Zimbra utiliza uma base de dados MySQL para manter o caminho de armazenamento do arquivo da mensagem no disco. Além disso é armazenada na base MySQL o assunto e a parte inicial da mensagem. O objetivo é utilizar essas informações para “montar” a tela inicial do usuário sem precisar ler as mensagens diretamente do disco. O acesso à base de dados é centenas de vezes mais rápido do que o acesso ao disco, evitando assim, sobrecarga de I/O no disco e tornando o ambiente todo mais rápido e eficiente.

Sempre que a caixa postal é acessada às mensagens da INBOX são indexadas e apresentadas ao cliente, significando, no caso do Zimbra, uma consulta na base de dados MySQL. Quanto mais mensagens na INBOX mais carga sobre o servidor e mais lentidão. Dica de ouro: estimule seus usuários a manter uma caixa de entrada minimalista.

Em uma matéria publicada em 2005 no blog Techno Community da Microsoft eles falam sobre o tamanho recomendado de uma caixa de e-mail. Depois de várias explicações eles sugerem que as caixas não devem ter mais de 5000 mensagens para poder garantir sua integridade geral. É curioso que eles foquem na quantidade de mensagens e não no tamanho da caixa como um todo, mas faz sentido: o que importa mesmo é a quantidade de itens nos índices e isso não tem haver com o tamanho das mensagens.

Segue o link para quem quiser ler o tal artigo: Recommended Mailbox Size Limits

Apesar do artigo ser de 2005 os seus princípios não mudaram: quanto mais mensagens, maiores os índices e portanto mais carga no servidor ao entregar as mensagens aos clientes. Se por um lado os computadores e discos melhoraram de desempenho, por outro lado o aumento no uso do IMAP e de usuários de Webmail forçam o sistema. Por isso as premissas do artigo da Microsoft são válidas até hoje.

É muito importante configurar o Zimbra para o “index” dos volumes em um disco de alto desempenho. Mas cuidar do tamanho das caixas postais é essencial, assim como educar os usuários a manter suas pastas INBOX com poucas mensagens.

Tendo em mente essa quantidade máxima de 5000 mensagens podemos dizer com segurança que uma caixa postal de 20Gb de tamanho armazenará muito mais do que isso, permitindo assim uma folga na quantidade de mensagens que um usuário pode manter sem correr maiores riscos. O ajuste de quantidade para tamanho se baseia na facilidade de entendimento do usuário e de controle por parte dos administradores do serviço de e-mail.

Apesar da orientação e das boas práticas, muitas vezes nos deparamos com situações onde a quantidade de mensagens que precisam ser armazenadas é uma condição obrigatória. Caixas postais corporativas que são compartilhadas por muitos usuários, como “vendas”, “financeiro” ou “contato”, caixas postais de tribunais e juízes ou de departamentos jurídicos das organizações, são bons exemplos.

Essas caixas costumam armazenar muito conteúdo por prazos de tempo muito longos para permitir que acordos legais e/ou comerciais possam ser resgatados ao longo do tempo quando necessário.

Entende-se o motivo pelo qual essa caixas postais terminam sendo usadas como arquivo de mensagens antigas ao mesmo tempo que continuam em produção, sendo utilizadas cotidianamente. Mas essa é a receita para um desastre anunciado: haverá corrupção de dados e perdas que poderão ser irrecuperáveis. Como diz o ditado, não é “se”, mas “quando” isso vai acontecer.

Há outros três momentos críticos em que as caixas postais grandes costumam sofrer perdas irreparáveis: queda súbita de energia, restauração de backup e migrações.

Quando acontece uma interrupção súbita de energia todos os índices que estava em memória são perdidos e precisam ser gerados do zero quando o sistema é inicializado. As caixas postais grandes tem índices maiores e portanto mais propensas a corrupção permanente, o que significa que não será mais possível ler a caixa postal. É possível fazer uma recuperação forense das mensagens mas trata-se de um processo altamente especializado, demorado, caro e com resultados imperfeitos.

O processo de restauração de backup é similar ao processo de migração: faz-se o “dump” das caixas postais para restauração local no caso do backup, ou para restauração no novo servidor no caso da migração. O “dump” resulta em um arquivo compactado que tem todo conteúdo da caixa, como mensagens, contatos, compromissos… e quanto maior a caixa, maior é o arquivo resultante. Em geral não há problemas para fazer o backup ou “dump”, mas sim no momento de restaurá-lo.

Importar um arquivo de 5, 10 ou 20Gb é um procedimento corriqueiro, mas fazer o mesmo com um arquivo de 80 ou 100Gb tem implicações graves sobre o desempenho do servidor, impacto sobre a base de dados e tempo de escrita em disco. Na prática o que acontece é a leitura e descompactação desse arquivo pelo Zimbra que depois vai importar cada registro, mensagem, compromisso via SOAP. Quanto maior a caixa postal, maior o risco do processo ser abortado durante a importação por erros de leitura, timeout e/ou esgotamento de memória. O resultado é uma restauração parcial apenas da parte que se conseguiu ler antes do erro.

O hardware envolvido, a carga geral do sistema, o tamanho da caixa e o desempenho do disco contarão como variáveis que poderão influenciar no sucesso ou não da importação de caixas postais grandes, seja para restauração de backup, seja para migrações.

Sabendo de tudo isso qual é a forma sugerida de se lidar com caixas postais grandes? Dividi-las em caixas de até 20Gb compartilhando-as com a caixa principal através do recurso de compartilhamento de caixas postais do Zimbra. Uma ideia é criar caixas postais auxiliares com nomes contendo anos, assim:

juridico@organizacao.org.br = 20Gb
juridico_2018@organizacao.org.br = 20Gb
juridico_2019@organizacao.org.br = 20Gb
juridico_2020@organizacao.org.br = 20Gb
juridico_2021@organizacao.org.br = 20Gb

As contas com “_ANO” são compartilhadas com a conta principal, ficando disponíveis de forma fácil pois aparecem no cliente de e-mail como uma pasta extra. Fica evidente que a ideia é separar as mensagens por ano de envio.

Dessa forma o conteúdo fica disponível, porém armazenado em caixas postais menores de fácil mobilidade, reindexação e restauração em caso de necessidade.

Existe um zimlet administrativo feito pelo Barry de Graaf que implementa o compartilhamento de caixas via interface administrativa: Zimbra Shared Mailbox Toolkit

Esperamos que este conteúdo ajude administradores de servidores de e-mail e usuários a chegarem a um consenso no uso racional dos recursos computacionais, para melhorar o desempenho geral do ambiente, garantir integridade e portanto evitar perdas de dados importantes.

Quem sabe em um futuro o limite seguro do tamanho de caixas aumenta. Ainda me lembro da época em que a recomendação era de no máximo 10Mb… sim Megas =)

Saudações Livres!

Bom Sol OSIstas

Então um dia ele acorda, lava o rosto e ao encontrar com a família deseja bom dia. Segue-se o seguinte diálogo:

– “Bom dia, querida família!”.

Eles se entreolham e com caras meio tortas de desânimo respondem

– “Bom Sol”

Com um sorriso maroto, convicto de que se trata de uma pegadinha familiar, ele completa

– “Bom Sol, entendi, de dia tem Sol, em vez de bom dia, bom Sol. Faz sentido, muito boa essa piadinha!”

– “Ué Papai?, Piadinha não. Ninguém mais diz bom dia. Agora é bom Sol.” Diz o filho mais novo.

– “Como assim? Desde quando a definição de dia mudou? Dia é dia, certo?” ele responde.

– “Querido, calma, não se exalte. Veja bem, dia e Sol são a mesma coisa. Sem o Sol não haveria o dia, afinal de contas o Sol faz o dia. Então podemos desejar bom dia ou bom sol. É igual” tentou contemporizar a esposa.

– “Mas dia é um conceito temporal, definido pelas horas do dia que se converte em uma saudação afetuosa. O Sol é uma estrela, um copo celeste. Entendo as similaridades, mas são coisas diferentes!” ele argumenta de forma enfática.

– “Como você é radical! bom sol é a evolução natural de bom dia! Bom dia é velho, restritivo e ideológico demais!” justifica, impaciente a filha mais velha.

– “Ideológico? Restritivo? Como assim? Do que você está falando?”

– “O dia é limitado, só tem 24 horas. E se for considerar os momentos com luz, então estamos falando de menos de 12 horas. Por outro lado, o Sol é basicamente eterno, brilha o tempo todo e está disponível para todos. É muito maior, mais livre e mais legal.” Explica o caçula.

– “Caramba. Bons argumentos, mas isso justifica mudar o nome da saudação, sua definição e….” desenvolvia ele, quando é interrompido.

– “Claro que sim! Mas você pode dizer bom dia se achar melhor. É velho, mas as pessoas vão entender, afinal de contas, bom dia e bom sol, são a mesma coisa”. Define a esposa.

– “Pera um pouco! Como assim são a mesma coisa? Vocês podem ter bons argumentos, e até entendo que há mudanças idiomáticas, mas não são a mesma coisa. O dia é o dia, e o Sol é o Sol. Um bom Sol é desejar uma estrela mais brilhante? brilhante por mais tempo? mais quente nos países mais frios e mais frio nos países quentes? Acho que vocês podem inventar um novo termo para desejar um bom dia para as pessoas, mas não podem simplesmente colocar dois conceitos diferentes para significar a mesma coisa. Isso confunde as pessoas.”

– “Confunde nada! Você é quem está sendo intransigente!” retruca a esposa.

– “Mas quem invetou isso de bom sol? de onde saiu isso?” questionou ele.

– “Vish! Papai, isso é o maior viral da Internet, esta no Facebook, Instagram, Snapchat e Youtube. É o maior sucesso dos últimos anos! Olha aqui…” a filha mais velha abre no tablet um vídeo de 30 segundos. Uma propaganda da Cerveja Sol.

– “Puts! Então quer dizer que o mundo decidiu mudar a saudação bom dia, por bom sol, graças aos interesses comerciais de uma cervejaria?”

Nesse momento a esposa já apitava de dentro do carro e os filhos foram embora. Ele ficou ali, plantado, pensando nas implicações.

Software Livre é um movimento social e político que objetiva mudar o mundo empoderando o usuário final. Open Source defende que o modelo de desenvolvimento colaborativo, permitido pelo acesso ao código, é muito mais eficiente e produtivo para as empresas. Assim percebe-se claramente que o viés de interesse dos dois movimentos é antagônico. Enquanto um tem cunho social o outro é mercadológico. Se um dia o Software Livre foi acusado de ser comunista, o Open Source é a essência capitalista. O elo em comum é a liberdade do código. Mas não há como estabelecer uma relação evolutiva entre os movimentos. Quero dizer que um não é a evolução do outro. Eles usam a mesma “ferramenta” com objetivos antagônicos. É como usar um martelo para construir ou destruir.

Num mundo ideal, a liberdade de opinião é inalienável. E citando Voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Então não tenho  a mínima pretensão de calar ninguém, apenas apelo por lisura, decência e honestidade. Não confunda as pessoas. Ao menos não deliberadamente.

Se Software Livre e OpenSOurce são movimentos ideologicamente antagônicos, porque colocá-los como sinônimos? Trata-se de campanha midiática, marketing, enganação de mercado, perfilamento de conceito de produto, coisas do “business”. Como o Software Livre tem um apelo social, aquela coisa de ajudar a todos e ser bom para todos, a OSI faz toda a força possível para pegar carona nessa imagem de politicamente corretos. Essa é uma estratégia de marketing super comum. Os antigos comerciais de TV de cigarro, que mostravam uma galera jovem e saudável, fazendo esportes radicais e depois fumando, é um excelente exemplo.

Que fique claro: OSI é pró mercado e empresas, o Software Livre é pro social e pelo usuário final. Cabe a você escolher um lado. O problema está nos falsos ativistas que dizem que Software Livre e OSI são a mesma coisa, quando não são. Esses são os OSIstas, os enganadores.

E há muitos deles, especialmente no Brasil: Alberto Azevedo, Sílvio Palmieri e Hélio Loureiro – só para citar alguns – são velhos OSIstas. Eles defendem com todas as suas forças que o mercado é o fundamental e que o Software Livre está velho, vencido, ideologicamente ultrapassado, radical demais. Eles também sugerem que o OpenSource é a evolução natural do Software Livre e que é importante, e até mesmo desejável, distribuir software não livre para ajudar a disseminar e atrair mais usuários para o Software Livre.

Qualquer semelhança com as velhas raposas da política não é mera coincidência. Esses caras estão para o Software Livre como os políticos José Serra, FHC e Aloysio Nunes estão para a esquerda. Dantes militantes comprometidos com os anseios sociais, presidentes da UNE, guerrilheiro do Araguaia e professor de Sociologia, esses três representam, hoje, o que há de mais nefasto, entreguistas e lambe botas de nossa república. Serra e Aloysio com seus projetos de entrega do pré-sal aos interesses estrangeiros e membros do “governo” golpista de Michel Temer. FHC como o maior privatista da história do Brasil. Canalhas!

Mas sempre há interessados em engrossar as fileiras dos enganadores. O mais novo OSIsta é o jornalista Kemel Zaidan. Em um artigo intitulado “O Software Livre venceu” ele desfila quase toda a lista de argumentos comuns usados para confundir e enganar as pessoas.

  1. Ele se refere ao sistema operacional como Linux. Sabemos que Linux é um kernel e não um SO. O nome do SO é GNU, mas “isso não vem ao caso”;
  2. O texto usa a adoção de softwares OpenSource pelas empresas como argumento de sucesso do Software Livre. Por que, se são coisas diferentes?
  3. Ele conclui dizendo que o Software Livre passou a ser mainstream. E ai se estabelece a tentativa de diluir os dois conceitos, fazendo parecer que Software Livre e OSI são a mesma coisa.

É sutil o suficiente para enganar até os mais atentos. É feito com muito esmero e cuidado. É coisa de profissional, afinal de contas Kemel é um jornalista experiente, foi editor da Linux Magazine, e já foi um arraigado ativista de Software Livre, tendo participado de dezenas de fóruns e eventos, inclusive como palestrante. Então não se trata de uma confusão inocente, nem um ato de ignorância. É deliberado.

O detalhe é que um ativismo honesto pode ser feito. Em um artigo publicado em janeiro, chamado “Linux and open source have won, get over it” o Steven J. Vaughan-Nichols já fazia a mesma análise do Kemel, mas de forma clara, como um bom ativista OSI, sem enganar ninguém: vejam que ele não cita Free Software nem uma única vez. Sequer aparece na página. Então eu posso concordar com a análise Steven, afinal de contas o objetivo da OSI foi alcançado e o Linux e a OSI venceram, mas não o Software Livre, pois nenhuma das vitórias descritas são objetivos do Software Livre.

Então fica meu apelo aos OSIstas: saiam do armário!

Saudações Livres!

 

Livros em CC BY

No ano passado decidi publicar dois livros que eu tinha basicamente prontos. Acreditem, o desafio é muito maior do que o esperado. Em 2012 publiquei o livro OpenLDAP Extreme pela Editora Brasport e confesso que não fiquei muito feliz com o contrato que assinei, foi um daqueles que limitam a liberdade. Eu basicamente perdi toda a autonomia sobre minha obra pelos dez anos seguintes. Assim me prometi que nunca mais faria uma publicação seguindo os moldes tradicionais. Não acredito no Direito Autoral como forma de limitar a liberdade do pŕoximo. Foi bacana como primeira experiência, com lançamento oficial numa livraria e tudo mais. Divertido, mas depois que passa a euforia me senti tolhido. Que fique claro que estou depositando apenas em mim a responsabilidade por esse sentimento, afinal de contas ninguém me obrigou a assinar o contrato.

Em 2015 decidi que podia ser uma boa ideia tirar da gaveta um outro livro de OpenLDAP e fazer uma apanhado dos artigos que publique nos últimos anos e dai ter outro livro. Mas desta vez seria sob licença Creative Commons BY SA, ou seja, com permissão plena de uso, reprodução, derivativas, e inclusive uso comercial. Fiz contato com uma editora gaúcha chamada Buqui e eles toparam fazer a edição em CC BY mas eu teria que pagar pelos serviços de diagramação e registro ISBN. A capa eu contratei um designer e a correção foi feita pela linda Josilda Silva. No final desembolsei R$ 2.000,00 para ter as versões prontas e publicáveis.

Os livros estavam guardados, enquanto eu avaliava qual seria o melhor momento para publicá-los, quando fui avisado de que eles já estavam a venda no Google Play. Quanta ironia, justamente onde? Mas assim é a vida. As obras foram licenciadas para serem públicas e exploráveis por todos os humanos, inclusive a minha Editora que escolheu essa plataforma para comercialização sem ter me informado. Perceba que não estou me queixando, apenas esclarecendo que eu não tive nada haver com a comercialização dos dois livros no Google Play ou em nenhuma outra loja ou livraria on-line. Felizmente eles foram retirados de lá.

DRM?

O mais incrível é que plataformas on-line como a do Google Play clamam ter proteção DRM que visa, exatamente, limitar a distribuição livre de conteúdo digital. Mas como eles pretendem fazer isso se eu mesmo licenciei os livros sob CC BY?

Os livros

Então, hoje decidi publicar aqui meus dois livros de forma gratuita para todos. Divirtam-se:

OpenLDAP Ultimate

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Este é um material introdutório sobre o renomado protocolo LDAP. Está é uma fera que deve ser dominada por todos os profissionais de redes, mas os primeiros passos são um grande desafio. Linguagem cotidiana, comparativos criativos e exemplos práticos são a base deste guia para entender, usar, debugar e evoluir no entendimento teórico de um serviço de diretórios e sua aplicação como central de autenticação dos principais serviços de rede.

Aos que já deram os primeiros passos e desejam ir muito além, não deixem de conferir OpenLDAP Extreme em: http://www.openldap.com.br

Páginas: 219
ISBN: 9788583381853
Idioma: português

PDF 
ePUB 

Cronicas de um Tetranacional do Software Livre

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Pequenos diários de bordo, autodefinições e muita controvérsia em 29 crônicas escritas nos últimos dois anos. Eventos de Software Live, conceitos de economia meritocrática, contradições dos ditos ativistas convertidos e suas redes sociais devassas, e um novo olhar sobre as nefastas intenções do Open Source Initiative.

Em tempos de vigilância massiva, ter noções claras sobre o papel do mercado, dos governos e da sociedade civil organizada é fundamental. Sem poupar nenhum dos atores envolvidos expusemos todos os interesses e até mesmo o fogo amigo dos ativistas cibernéticos.

Páginas: 122
ISBN: 9788583381877
Idioma: português

PDF
ePUB

 

 

 

 

 

Saudações Livres!

Auto trolagem

Iniciei os caminhos do Software Livre em 1995, mas levei alguns anos para entender, me livrar dos conceitos formados anteriormente e adotar a filosofia GNU como norteamento profissional e social. Você pode até achar que sou louco, mas na verdade todos fazem isso, de forma consciente ou não. Qual rumo você vai dar a sua vida, qual caminho escolher e quais formatos, métodos e valores vai adotar como forma de vida. Alguns serão mais comerciais, outros mais religiosos, outros mais ecológicos, outros mais engajados e outros, apesar de não se definirem, serão levados a se definir pelo comportamento da maioria.

Faço parte do Movimento Software Livre brasileiro desde o seu nascimento. Vi seus ídolos surgirem, passarem, mudarem e até se antagonizarem ao próprio movimento. Fiz parte do grupo majoritário que a partir de 2004 decidiu abraçar, também, os conceitos OSI para facilitar a adoção do GNU+Linux no meio empresarial e governamental. O objetivo de tornar o Software Livre mais palatável sempre foi o de aumentar sua adoção. Se uma empresa ou governo adotassem o GNU+Linux as pessoas seriam apresentadas ao fantástico sistema operacional e suas vantagens técnicas e ideológicas. Isso provocaria uma reação em cadeia que levaria as pessoas a adotar o GNU+Linux, também em casa e eventualmente fazer pressão de mercado por dispositivos compatíveis e obviamente, um revolução estaria em curso. Essa foi uma tendência seguida por 9 entre 10 militantes e simpatizantes do Software Livre e vem se arrastando até hoje.

Fomos absurdamente inocentes. Realmente acreditamos que jogaríamos esse jogo, sob as regras do mercado, no campo do mercado e ainda assim ganharíamos. Fomos cooptados como movimento e o Software Livre, lentamente, foi convertido de um posicionamento filosófico, social e político, em um modelo de produção mais eficiente. GNU+Linux virou Linux, Livre virou Aberto (Free –> Open), Linus virou o “pop star” do movimento enquanto Stallman foi escanteado e Software Livre virou FOSS ou FLOSS, para poder apagar de vez qualquer dúvida do quanto eram tecnicamente superiores e ideologicamente insignificantes.

Eu acordei desse encanto em 2012 quando me dei conta de que estava completamente dependente das ferramentas do Google. Em um artigo comuniquei que estava deixando de usá-las e até escrevi um HowTo de como proceder. Foi nesse mesmo ano que a Canonical decidiu embutir um spyware no Ubuntu, a distribuição que eu usava, e isso me fez ainda mais atento aos detalhes do que eu estava chamando de Software Livre.

Desde então tenho me dedicado a alertar os militantes do Software Livre sobre o encantamento no qual se encontram, implorando que despertem e percebam que apesar de acharem que estão fazendo o bem, estão ajudando a enganar as pessoas, estão distribuindo software não livre e, consequentemente, matando o Movimento Software Livre.

É claro que eu não poderia sair incólume. Apontar os erros dos outros é uma tarefa ingrata. Especialmente porque, estou me dirigindo a pessoas com um intelecto privilegiado, capacidade avançada de pensamento cognitivo e com muitos anos de militância na bagagem. Os argumentos estão sedimentados e as meias-verdades estão sedimentadas como verdades absolutas. E essa reação é tão forte, que os argumentos chegam a beirar o surrealismo, como insistir em dizer que o Linux é Software Livre.

Então, depois de anos recebendo criticas e toda sorte de acusações, decidi fazer uma auto entrevista comigo mesmo – pleonasmos propositais – para esclarecer algumas perguntas que sempre me fazem. Então se preparem, a tarefa de auto trolagem não é nada bonita.

P: Quem você pensa que é para falar em nome do Software Livre? Você não acha que seus 5 minutos de fama já acabaram?

Puxa vida! Eu não sou ninguém. Sempre repito isso, mas as pessoas tendem a ignorar. Eu não faço parte da FSF ou nenhuma outra organização formal. Não represento ninguém. Sou apenas um militante ativo. Então eu não sou ninguém!

Não me acho melhor nem pior do que ninguém. Mas é interessante como os criticos conseguem ser malvados. Eu nunca sofri tantos ataques de caráter pessoal em toda minha vida. O mais triste é que eles vem de pessoas supostamente esclarecidas, inteligentes e oriundas do próprio Movimento Software Livre.

P: Você critica muito e fala muito, você contribuiu com algum projeto de Software Livre?

Como disse antes eu sou um militante do Movimento Software Livre e portanto, é inevitável que eu tenha feito e continue contribuindo. Sou fundador do G/LUG-PB – Grupo de Usuários GNU/Linux da Paraíba, ajudei a realizar alguns eventos, como o ENSOL – Encontro de Software Livre da Paraíba, desenvolvi alguns Softwares Livres como o LESP, lesp-cel e KyaPanel (antes chamado de JeguePanel), contribuí para diversos outros projetos traduzindo e mandando pequenas contribuições e correções, e sou mantenedor do primeiro POD (servidor) Diáspora no Brasil. Sei que não é muito, mas tento fazer a minha parte.

P: Você sabe compilar um software?

Sei sim. Inclusive o kernel linux-libre 🙂

P: Você acredita em Deus?

Não. Sou ateu desde criança.

Costumo dizer que sou ateu, materialista, dialético, graças a Deus! 🙂

P: Você é comunista?

Sou socialista, que é o embasamento ideológico do comunismo. O Comunismo é uma tentativa pragmática de aplicar o Socialismo. Mas se você quiser saber eu sou Fidelista sim. Tenho família em Cuba e conheço bem os problemas e méritos do sistema Cubano. Prefiro 1000x uma sociedade igualitária e com os melhores índices sociais das Américas às desigualdades mantidas propositadamente pelo capitalismo.

E antes que me mandem ir para Cuba, permita que lhes diga que eu já tentei. E 1998 fui a Cuba a passeio e pedi para ficar. Não me deixaram. Hoje não há mais espaço para uma mudança desse tipo, constitui família e tenho uma carreira profissional. Mas não deixo de lutar pelos meus ideais políticos aqui mesmo no Brasil. Sou Brasileiro e não desisto nunca!

P: Você acha que o Movimento Software Livre tem viés de esquerda?

Acho que sim. Não foi algo pensado ou planejado. O próprio Stallman diz que se trata de um movimento social e político que empodera o usuário através do acesso ao código, para mudar a relação de poder entre os usuários e os fornecedores de tecnologia. Ora, na minha compreensão, todo movimento que empodera o cidadão em detrimento das corporações é um movimento de cunho socialista. Além disso o próprio caráter distributivo, igualitário e comunitário fazem do Software Livre um movimento de esquerda.

P: Então se você é socialista você acha que não se deve ou não se pode ganhar dinheiro com Software Livre?

Nada disso. Pode-se e deve-se gerar riqueza com Software Livre. Apenas o modelo de como se faz isso é que deveria ser repensado. O modelo que eu mais gosto é o de Cooperativa, nos moldes da COLIVRE, mas respeitando as leis vigentes, respeitando as liberdades do software segundo as definições da GPL e adotando uma abordagem mais humana de fazer negócios (isso é possível?) então ta de boa ganhar grana com Software Livre.

Se quiserem mais exemplos de como se faz isso, basta assistir as dezenas de palestras do Jon “maddog” Hall. Inclusive ele está empenhado em um agora mesmo: o Projeto Cauã.

P: Você critica muito o uso das redes sociais, inclusive às chama de Redes Devassas, mas você tem uma conta no Twitter? Você não se sente agindo de ma fé, algo como” faça o que eu digo, mas não o que faço”?

Sim, me sinto assim, mas não é algo verdadeiro. Eu não defendo, nem cobro de ninguém 100% de uso de Softwares Livres. Acho que não é possível neste momento. O meu objetivo é tirar as pessoas de sua zona de conforto e fazer com que percebam que passaram, perigosamente, do limite. Usar uma rede ou outra, um software não livre ou outro não é um problema tão grave assim. Mas quando você perceber que quase tudo o que faz no seu dia a dia, depende de uma rede devassa, de um serviço on-line privativo ou de um software não livre, então é hora de repensar. O mais grave é que tem gente que está nessa situação, defende que deve ser assim mesmo e ainda se define como ativista do Software Livre. Faz sentido?

Se eu quantificar o percentual de softwares não livres + redes devassas que uso, em relação aos Softwares Livres e redes sociais livres, seria algo me torno de 10%. Então usar o Twitter, com clientes livres (Twidere e Hotot) para não me isolar do mundo, não me parece uma falta de coerência tão grave assim. Não sou perfeito e não estou pedindo que ninguém seja.

Mas usar Google, Gmail, Hangout, Skype, Steam, iPhone e ainda falar em liberdade tecnológica e palestrar sobre Software Livre é meio ridículo.

P: Você sempre indica que sejam usadas as distribuições Linux recomendadas pela FSF, mas você mesmo usa openSuse. Porque?

Eu sou um profissional de TI. Sou consultor de Tecnologias Livres e preciso me manter atualizado com as últimas novidades disponíveis em Software Livre. Em 2012, depois da trairagem da Canonical com o seu spyware eu deixei de usar o Ubuntu, que tinha sido meu sistema operacional por 6 anos. Fui apresentado ao openSuse pela amiga e também militante do Software Livre, Izabel Valverde e gostei muito, em especial da versão Tumblebee considerada instável e que libera sempre as últimas versões de tudo. Mas é claro que tomei o cuidado de substituir o kernel que vem nele pelo linux-libre.

O meu problema pessoal com as distribuições recomendadas pela FSF é o tempo de atualização. Esse é um problema para mim, mas não para a maioria dos usuários comuns. Se a ideia é ter um sistema operacional estável, seguro e realmente livre, opte por uma das sugeridas pela FSF.

Apenas para esclarecer, já faz alguns meses que migrei para o Debian Sid 🙂

P: E Android?

Uso sim. Não há outra opção viável no mercado. Até ensaiei um Firefox OS, mas ele não é estável o suficiente e ai terminou que ele foi descontinuado. Android não é 100% livre, até porque isso não é possível nos aparelhos comercializados hoje em dia. O Replicant, a tentativa de um Android 100% livre esbarra na falta de drivers livres para fazer o wifi funcionar, por exemplo.

O que faço é não usar os aplicativos do Google. Assim optei por usar uma ROM chamara OMNI e sempre sugiro que usem a CyanogenMOD ou outra, que seja o mais limpa possível. Sem conta do Google e usando repositórios alternativos como Aptoide.com e F-droid.org. Será que ficou claro que eu prezo pela possibilidade?

P: Você usa Ubuntu de alguma forma? Alguns testes nos seus servidores indicam que sim e claro que isso não pega bem para quem dissemina o #semUbuntu

Não uso Ubuntu desde 2012 em nenhum lugar. Eu contratei uma hospedagem compartilhada na DreamHost.com que tinha seus servidores rodando RedHat. Como se sabe, nesses casos você não tem nenhuma autonomia sobre a distribuição que é utilizada. Assim, um belo dia, eles migraram os servidores de RedHat para Ubuntu e foi assim que eu terminei usando Ubuntu sem saber por algum tempo. Quando fui alertado do problema tomei medidas imediatas.

Eu mantenho dois servidores próprios: um para a minha página pessoal e outro de um serviço de hospedagem de e-mail KyaHosting e ambos rodam sobre Trisquel.

Trisquel é uma distribuição mantida por um coletivo espanhol que se dedica a remover TUDO o que não é livre das versões LTS do Ubuntu. É tão bem feito e tão confiável que ganhou homologação da FSF. Mas tem um porém: quando eles percebem que não é necessário tocar em algum pacote, eles não mudam nem mesmo as assinaturas. Então programas como Nginx e PHP informam que se trata de um Ubuntu, quando na verdade é Trisquel. É um caso típico de falso positivo.

P: Vai bem dizer que você num usa um “softwarezinho” privativo aqui e ali?

Uso sim. As vezes é inevitável ou desejável. Um excelente exemplo de inevitabilidade são os aplicativos de banco. Simplesmente não há alternativa. Então se submeter ao uso de algum software não livre é aceitável até mesmo para um ativista, mas não pode ser somente isso. E o problema, em geral, é exatamente saber qual é o limite?

Na minha opinião o limite é aquilo que pode ser substituído, ou seja, se há uma opção livre ela deve ser usada, mesmo com menos recursos. No fim a pressão pelo uso de software não livre vem do mercado, ou seja da demanda. Como a maioria das pessoas não se importa com a liberdade do software, então a oferta de determinadas soluções é mínima ou inexistente. É o caso dos drivers de wifi para smartphones.

Acredito que se a maioria das pessoas desse a devida importância ao Software Livre e se dedicasse a exigir de seus fornecedores que liberassem o código de seus programas, inclusive os drivers do hardware, o cenário do mercado seria completamente diferente. É como ser um tanto ecologista ou “natureba”. O preço dos alimentos orgânicos é absurdo porque a demanda é baixa. O interessante é que ninguém, deliberadamente, quer consumir agrotóxicos. É como se todo mundo esperasse o outro fazer a diferença. É o famoso “deixa que eu deixo” e a bola termina no chão com ponto para o adversário. Neste caso é um processo de auto flagelo, estamos nos condenando a consumir mais veneno, mais tecnologia privativa, etc.

É um paradoxo: quanto mais as pessoas exercem sua liberdade de escolher usar tecnologia sem se importar se ela é livre ou não, menos livres elas se tornam. Isso gera um padrão de mercado, que termina forçando os que se importam com a liberdade do software a enfrentar sérios dilemas cotidianos: usar ou não usar, distribuir ou não distribuir, recomendar ou não recomendar alguns softwares não livres.

P: Você sempre repete que o Linux não é Software Livre. Imagino que esteja se referindo aos  blobs. Considerando que estes não fazem parte do kernel, você não está sendo desonesto, fazendo FUD?

Isso é algo extremamente sem sentido: quanto mais eu digo a verdade, mais me acusam de estar mentindo. Parece um universo paralelo, espelhado. O linux é o kernel mais popular do sistema operacional GNU. Há outros, mas infelizmente não tão usáveis. Será que você já parou para pensar porque?

Precisamos definir o que é um kernel usável. Se por uma parte é o fato dele ser bem feito e permitir o gerenciamento adequado do hardware, sem dúvida. Mas há outro quesito fundamental que precisa ser considerado: suporte ao hardware existente. O que poucas pessoas parecem entender é que desde 1994 o Linus optou pelo pragmatismo em detrimento da filosofia libertária do Software Livre. Desde esse ano ele se utiliza de uma carência legal da GPL 2 para embutir software não livre no kernel. Sim, isso mesmo, desde 1994. Então o arquivo fonte que você baixa em kernel.org está tão recheado de software não livre que a liberdade 0 – aquela que diz que você deve poder fazer qualquer coisa com o software – não é respeitada. Portanto não é magia, nem mesmo competência o que tem feito o Linux ser cada vez mais compatível com uma vasta gama de hardware do mercado, mas sim a infecção progressiva do kernel com mais e mais drivers não livres.

O mais interessante é que desde então a quantidade de softwares não livres só aumenta. Chegamos a um ponto em que um fork do Linux foi criado: linux-libre. Nele todos os softwares não livres são removidos e o resultado é um kernel realmente livre.

Então, nem o Linux é Software Livre e também não é Open Source. Vejam que ironia, porque até mesmo os defensores de uma certa dose de pragmatismo ideológico estão levando uma rasteira daquelas. E se o Linux não é FLOSS então Tux não nos representa.

P: Você faz parte da iniciativa #semUbuntu e sugeriu que o FLISOL, por exemplo, não instalasse mais essa distribuição. Você não acha melhor migrar um usuário de Windows para Ubuntu, do que não migrar?

O #semUbuntu é uma provocação simplista para mentes simplistas. Se o kernel distribuído não é livre, parte dos softwares distribuídos não é livre, então o Ubuntu não é livre. Se o sistema operacional não é livre por que o Festival Latinoamericano de Instalação de SOFTWARE LIVRE instala ele? Talvez porque a maioria dos voluntários que realizam o FLISOL são iniciantes entusiasmados que foram apresentados ao Linux e ao Ubuntu como sendo Software Livre, quando não o são. Esses foram enganados e, infelizmente, estão ajudando a espalhar o engano.

Honestamente acho que migrar um usuário de Windows para Ubuntu é melhor do que não migrá-lo, mas desde que ele saiba que o que ele está usando não é Software Livre. O mesmo pode ser dito de um smartphone: prefiro um que use Android do que iOS ou WinPhone, mas isso não implica dizer que o Android é Software Livre. A provocação aqui é que se deixe claro para o instalador e para o usuário que o sistema operacional que está sendo instalado não é livre. Assim ambos não se deixam enganar e não propagam mais a enganação.

Se todos os realizadores do FLISOL assumissem um compromisso com os valores no evento e do Software Livre eles fariam isso. E então ficaria muito estranho ter que explicar para as pessoas que aparecessem que vão instalar um Linux que não é livre, pois o que geralmente leva as pessoas ao FLISOL é exatamente experimentar a liberdade.

Então se for para migrar um usuário de Windows para Ubuntu, dizendo para ele que ele está usando Software Livre, é melhor não migrá-lo. Uma vez revelado que o Ubuntu não é livre, não faz mais sentido instalá-lo e ai as opções seriam as distribuições indicadas pela FSF.

P: Mas você não acha ridículo deixar um usuário novato sem sua Wifi funcionando somente para não instalar alguns Kb de software privativo?

O que é verdadeiramente ridículo é alguém defender o uso desses poucos Kb de softwares não livres sem contar isso para os usuários. Acho que existem opções claras de resolver esse impasse: explique bem o problema para a pessoa, assim ela terá o direito de ficar indignada com o fabricante; troque a placa wifi por uma que funcione com drivers livres. É fácil e barato; pressione o Linus a não embutir softwares não livres no kernel. O que não pode ser feito é enganar os usuários iniciantes.

P: Você não acha que é muito rude, grosseiro e duro nos seus artigos?

Honestamente não acho. Ser explícito e contundente com pessoas que sabem exatamente o que você está dizendo não é grosseria, é respeito. É como dizer que um Procurador está sendo pernóstico por usar uma redação demasiadamente jurídica em suas peças para apreciação da plenária. Meus artigos e textos não estão direcionados aos iniciantes e leigos. Tenho me dirigido aos Movimentos de Software Livre existentes, aos ativistas, organizadores de eventos, aos já iniciados e aos dinossauros salafrários que se camuflam por trás da pecha de liberdade, linux e Software Livre para enganar as pessoas em benefício próprio. Inclusive esses são os que mais reagem.

P: Todos dizem que você é muito radical. Você se considera radical, “xiita” ou terrorista?

Engraçado isso. Dependendo de quem me classifica assim, pode estar exageradamente certo ou absolutamente equivocado. Permita-me explicar.

Se quem acha que eu sou extremista for uma pessoa que não entende bem o que é Software Livre ou um defensor do software não livre, então, apesar do exagero, desde o ponto de vista ignorante dele, eu sou sim um extremista, um radical. Afinal de contas quero que todos os softwares do mundo sejam livres.

Mas se quem me acusa é um OSIsta ou um pseudo ativista do Software Livre, então o ataque é uma tentativa de me desqualificar. Como eu defendo o conceito original do Software Livre estabelecido pelo Stallman, e o que essas pessoas estão tentando fazer é mudar esse conceito, me considero um conservador empedernido. Eu quero que o conceito seja mantido e respeitado.

P: Você não acha que está prestando um desserviço à Comunidade? Provocando brigas, rachas e mal estar?

Na verdade eu espero estar causando rachas e mal estar. O objetivo é exatamente desestabilizar os oportunistas que continuam querendo colocar Software Livre e Open Source no mesmo saco, tudo junto e misturado porque assim se encaixa melhor com suas ideologias de mercado, porque assim atendem melhor aos seus interesses comerciais, por que assim podem manter a imagem de consultores, especialistas, profissionais de Software Livre, porque assim podem manter seu prestígio construído sobre os alicerces da filosofia GNU sem ter que respeitá-la.

Quando gero o antagonismo e provoco o contraditório, as mascaras caem e o verdadeiro posicionamento de cada um se revela. Tem sido assim com blogueiros, líderes de comunidades, organizadores de eventos, jornalistas e toda sorte de pseudo ativistas que se escondiam na sombra da área cinza que se gera quando se usa o acrônimo FLOSS(FOSS).

O conflito leva à discussão, que abre espaço para a reflexão e permite um posicionamento mais honesto frente aos outros e para si mesmo. Alguns veteranos do Movimento Software Livre, depois de lerem alguns dos meus artigos tem me confidenciado – e em alguns casos assumido publicamente – que não são mais defensores ou ativistas do Software Livre. Afinal de contas ninguém é obrigado a concordar, aceitar e seguir os preceitos filosóficos do GNU. O que não é produtivo é tentar deturpar o seu significado e suas diretrizes para que se encaixem na sua própria visão. Isso é desonestidade.


Estas são as minhas opiniões. Todos somos, ou deveríamos ser, livres para fazer suas próprias escolhas. Não condeno quem opta por seguir um caminho ideológico ou prático. Mas posso discordar e exercer meu direito humano de expressão. Meu embate é com os iludidos, desatenciosos ou falsos e mal intencionados que defendem a convivência, complacência e uso de softwares não livres e ainda dizem que isso é Software Livre. Faça sua escolha, siga o seu caminho, mas não se engane e muito menos iluda outros.

Esse questionário foi pensado por mim, inspirado em muitas das agressões e provocações que tenho recebido. Se você quiser me perguntar qualquer outra coisa, fique à vontade e pergunta. Só peço que o faça com educação e sem grosseria. Quem sabe em breve sai um capítulo 2 do Auto Trolagem.

Saudações Livres!