Do OSIsmo ao OSIsta

OSIsmo é a prática da filosofia Open Source. Ela é institucionalizada pela OSI e tem o objetivo de exterminar o Software Livre para substituí-lo pelo Open Source.

O OSIsta é um ser triste e magoado. Invariavelmente é um ex-ativista do Software Livre que não acredita mais na causa. Ele vive um o conflito filosófico constante de querer ser um ativista do Software Livre sem acreditar mais naquilo que isso representa. Assim ele se esforça muito para moldar ou distorcer a filosofia da liberdade do software para se encaixar em suas novas convicções.

Seu passado de ativismo no Movimento Software Livre lhe dá conhecimento de causa, ou seja, ele conhece com precisão a filosofia e todos seus aspectos técnicos, legais e ideológicos.

Lentamente ele cede ao argumento de que é mais importante massificar o uso de Software Livre do que se manter alinhado à filosofia. Assim ele aceita a inserção de software não livre no kernel e nas distribuições GNU. O mesmo argumento é usado para justificar a mudança no nome do sistema operacional: Linux é mais fácil e bonito do que GNU, portanto mais gente vai aderir.

É claro que é um processo de desapego moral. Até pouco tempo ele era um intransigente defensor das liberdades do usuário e qualquer ameaça seria combatida frontalmente com vigor. Ao aceitar o argumento do OSIsmo há uma ruptura interna que se justifica pelo bem maior, ou seja, cede-se um pouco na rigidez da filosofia para poder colocar em prática uma ação que trará muitos benefícios futuros à causa. É o tal “mal necessário”.

Gradativamente o apego às diretrizes filosóficas do Movimento Software Livre vai enfraquecendo. Quando as grandes empresas começam a usar massivamente software Open Source, então ele passa a ter certeza de que o argumento original estava correto. Trata-se da materialização do custo moral de ter aceito um pouco de software não livre em benefício do movimento e da disseminação do Software Livre.

O erro de avaliação é que o objetivo primário do Software Livre nunca foi tornar-se massivo, atender as empresas, gerar negócios ou ser um modelo de produtividade. Seu objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância da sua liberdade tecnológica. Qualquer outra conquista será consequência direta dessa consciência adquirida.

O OSIsta sabe perfeitamente de tudo isso, mas ele cedeu. Agora está convencido de que esse um caminho sem volta. O mercado atendido pelo OSIsmo é a nova ordem: é evidente que se as gigantes da tecnologia adotam e usam Open Source então isso tem que estar certo. O Open Source é a evolução natural do Software Livre. Mais usuários, mais negócios, mais investimentos… isso só pode estar certo!

Como ativista ele não deixa de agir, só que agora sob uma nova ótica: como organizador do FLISOL e/ou SFD ele não tem mais nenhum pudor em instalar distribuições não livres; ele redige artigos mostrando as vantagens do uso de Linux pelas empresas ao ponto de comemorar a campanha “Microsoft ama o Linux”; ele defende a liberdade do Linus em embutir software não livre no kernel; ele convoca todos a usarem as redes sociais não livres para poder atingir a maior quantidade possível de gente; ele usa o Android como exemplo de sucesso da massificação do uso de software livre; ele passa a ter mais apreço pelo lado técnico do software; ele passa a valorizar mais o desenvolvimento do software do que todas as demais colaborações, assim vale mais codificar do que traduzir, documentar, distribuir, organizar eventos e divulgar. Trata-se de um autêntico ativismo Open Source.

Cada vez mais convencido de que tem razão, as palestras e textos do Stallman começam a fazer menos sentido. RMS soa deselegante, rude e radical. “Será que o Stallman não percebe que esse discurso está superado? Será que ele não consegue ver o sucesso que estamos alcançando? Só tivemos que ceder um pouco para conquistar tanto!” pensa ele.

E quanto menos Stallman reconhece esses avanços, e quanto mais lhe é mostrado que esses avanços não são benéficos para o Movimento Software Livre, mais frustrado o OSIsta fica. “Como assim meu esforço para ceder só um pouco, em benefício do bem maior, não é reconhecido e entendido como sendo positivo para o Software Livre? Eu fui tão cuidadoso, que apesar das diferenças filosóficas, continuei chamando tudo de Software Livre, exatamente para beneficiar o movimento.”

As criticas ao seu novo posicionamento surgem naturalmente daqueles ativistas que se mantém alinhados com a filosofia do Software Livre. Sua frustração não lhe permite reconhecer que está errado e sua resposta é agressiva e virulenta. Sempre na defensiva, o ataque “ad hominem” é sua estratégia mais comum. “radicais, velhos, comunistas, destruidores de comunidade!, impositores, ditadores” costumam ser seus argumentos mais comuns para tentar desqualificar seus opositores. A tentativa é continuar justificando o uso de software não livre como sendo algo bom para o Movimento Software Livre.

Ao travestir seu posicionamento na filosofia do OSIsmo sob o nome da filosofia Software Livre e reagindo de forma violenta a quem lhe faz antagonismo, o OSista de revela em todo seu esplendor: é um fascista.

O mais incrível de tudo é perceber que a maioria dos OSIstas não se identificam como tal. Eles realmente acreditam que ainda são defensores do Software Livre. Continuam enganando as pessoas e fazem questão de não ceder jamais.

É claro que há aqueles que defendem legitimamente o OSIsmo. Esses são apenas ativistas da morte do Software Livre, são facilmente identificáveis e serão confrontados diretamente pelo Movimento Software Livre. Esses não são OSistas, são inocentes úteis a serviço do Deus mercado.

O OSIsta é um ex-militante do Software Livre, convertido à filosofia Open Source, que insiste em dizer que é tudo a mesma coisa para enganar as pessoas e reage de forma extremamente agressiva quando confrontado.

Hora de se olhar no espelho?

Saudações Livres!