LSM III

Terceira e ultima parte.

O dia seguinte foi chato como todos os demais. Nada acontecia, além das palestras em frances, as quais nao me dei ao trabalho de assistir, afinal todas elas estavam sendo ministradas de maneira encriptada em 18 bilhoes de bits.

Meu grupo de amigos estava crescendo e agora ja eram seis amigos loucos para que o evento terminasse para poder ir tomar cervejas e nos divertir um pouco. Nessa mesma noite fomos a um bar onde haviam mais de 10 pessoas. Sim acreditem que mais de 10 pessoas juntas em um mesmo local em Metz – França é uma verdadeira multidao. Além disso o bar fica na “Rue D´Enfern” o que, desencriptado, significa “Rua do Inferno”. Ali se apresentava uma banda de rock com três componentes e adivinhem? O rock também era encriptado, ou seja, em frances.

Apesar disso a cerveja estava no melhor preço que eu ja tinha visto na França, apenas 1,85 Euros o Choop. Nos divertimos bastante e como nao podia de ser bebemos bastante e flertamos com as francesas. Superando qualquer expectativa conseguimos fazer contato, somente para saber que nao se travam de francesas mas de suiças que estavam visitando o local. Como se esperava, a música dos inusitados Mamonas Assassinas passou pela minha mente com uma certa mudança: “neste raio de suruba, ninguém comeu ninguém” 🙂 Mas uma das suiças tinha alguns amigos franceses que tinham levedo seus filhos para o bar. Esses nos provocaram até que conseguiram algumas cobaias para brincar. Especialmente Ismael Olea de HispaLinux e o Sergius da Polonia. As fotos nao negam o nivel da brincadeira e as fotos estarao em breve disponibilizadas no endereço http://anahuac.codigolibre.net/gallery.

O ultimo dia foi o mais tenebroso, porque de fato nada aconteceu, além de um breve encontro casual com um grupo de estudantes que discutiam ao redor de um cartaz grande. Trava-se de um cartas da associaçao das empresas de software da França, algo como a nossa ABES, denunciando o uso de Software Pirata e avisando que a partir do dia 15 de agosto eles fariam uma série de fiscalizaçoes nas empresas que ja sabiam que estavam em situaçao irregular.

Quando terminaram de traduzir o conteúdo do cartaz me perguntaram o que eu achava daquilo. Minha resposta foi simples e direta: Acho que esse tipo de iniciativa das empresas produtoras de Software Proprietário é simplesmente FANTASTICA! As caras dos estudantes e demais membros do movimento SL perdeu o brilho, alguns até fizeram mençao de chateaçao. Para evitar ser linchado em congresso publico decidi explicar que esse tipo de iniciativa abre espaço para a aproximaçao entre o movimento SL e as empresas que estao sendo coagidas. É claro que nenhuma empresa quer ser fiscalizada ou multada por usar Software Pirata, logo restam duas opçoes: a primeira é pagar as licenças e é bastante óbvio que as empresas sabem disso. A segunda é optar pelo uso de Software Livre e é exatamente ai que nos podemos e devemos tirar proveito dessas campanhas. A reaçao deles foi estupenda. Conordaram no inicio e desordaram em seguida e houve um belo debate sobre o papel do movimento SL no ambito empresarial. Pude concluir que os franceses nao estao realmente preocupados com o uso de SL nas empresas e sim no governo. Software Livre é bom para a sociedade e as empresas nao o sao. É assim que eles pensam e agem quando se trata de Software Livre.

O encerramento foi fraco de publico e de intensidade. Pelo menos foi assim que eu senti e pude perceber. Obviamente minha percepçao nao era a mais correta, mas sim a de um Brasileiro, mebro do movimento Software Livre que esta acostumado a evento apoteóticos como o FISL de Porto Alegre.

Na Segunda-Feira dia 14 sai do hotel bem cedo para chegar na estaçao de trem que me levaria até Paris e em seguida para Madrid na Espanha. Arrumei minha mala e revistei três vezes o quarto para ter certeza de que nao estava esquecendo nada. Desci as escadas e esperava encontrar alguém na recepçao do hotel para perguntar que ônibus precisava pegar para ir até a estaçao. Estou certo em presumir que ninguém vai acahr isso estranho: nao havia ninguém na recepçao e assim como imaginei o pessoal só chegaria as 17:00. Obviamente nao poderia esperar. Do lado de fora estava o representante do Ministro da Educaçao da França e o diretor do projeto AbulEdu, os quais eu nao conhecia pessoalmente mas que sabia que falavam ingles. Fui até eles e perguntei qual ônibus precisava pegar para chegar até a estaçao de trem. A resposta foi a mais surpreendente possível, especialmente por que eu nao a esperava: me disseram que eles estavam de carro e que poderiam me levar até a estaçao de trem. Aqui tenho que reconhecer que a generalizaçao é um erro e que obviamente nao todos os franceses e muito menos os europeus tem mal indole ou nao se importam com os demais. Meu trem saiu as 17:00 horas, logo tivemos tempo para conversar muito sobre os mais diversos temas. Impressionante para eles que no Brasil se pudesse realizar um evento do porte do FISL alé de todos os demais que se realizam em nosso pais a cada ano. Como nao podia de ser expressei todo o meu interesse em poder ve-los no FISL do ano que vem para que participem das idéias e da forma que nós, latino americanos vemos o SL e o seu futuro.

Assim acabou minha estadia na França e comecei meu caminho para a Espanha. Um longo caminho. Afinal somente cheguei a Ellin – meu destino no sul da Espanha – no dia 16 as 17:00 horas.

Agora estou aproveitando a companhia da minha mae e dos seus amigos nesta linda e charmosa cidade onde as pessoas nao falam encriptado, onde a cerveja é gelada e o café é estupidamente quente.

Feliz por voltar a civilizaçao como a conheço. Obviamente ainda torto de saudades do MEU pais, do MEU Nordeste e da MINHA língua natal.

Abraços,

Anahuac de Paula Gil

Observações:

1 – É importante que fique claro a minha relutancia em escrever esta terceira parte, pois ha medida que o tempo foi passando fui aprendendo como as coisas “funcionavam” e situaçoes inusitadas como as do primeiro dia nao se repetiram mais.

2 – Desculpem os erros de gramática. Os teclados aqui na Europa sao muito diferentes. Nos franceses as teclas A e Q, e M e N estao trocadas logo me custou muito para me acostumar. Aqui na espanha eles nao usam o “til”, exceto sobre o N e possuem uma tecla especial para isso, logo nada de conseguir acentuar os “ao” e os “oes”.

3 – Nunca imaginei que estes relatos tivessem tamanha repercuçao. Logo muito obrigado aos que acharam que valiam a pena ser publicados, especialmente para o Paulino do Quilombo Digital e para o Mario Teza do PSL-RS. Mas mais do que a eles dois somente a todos, sem exceçao, aos que todos os dias acordam e enfrentam mais um dia pela realizaçao do sonho de ver o SL crescendo, no Brasil e no mundo.

21/07/2004