Dia dos pré-eventos

Post longo, bem longo.

O dia dos pré-eventos foi longo e muito mais animado do que eu podeia imaginar. Eu me inscrevi no GIGANETpor indicação do Caribé. Obrigado a ele por isso. Nós chegamos um pouco atrasados porque não sabíamos se haveria translado para o evento ou não. Depois de esperar mais do que deveríamos, pegamos um taxi para o evento.A distância do Baku Expocenter do centro da cidade é imensa. Ele fica bem perto do aeroporto e a mais de 20Km do centro histórico onde fica nosso hotel.

Cheguei a tempo da palestra do representante da China tratando sobre os novos sistemas de gestão do registro de domínios. Em sua apresentação ele ressaltou a unilateralidade da ICANN e de outros organismos. Até esse momento eu não tinha percebido que os demais membros que compunham a mesa de debates eram dois norte americanos. No fim da explanação a mesa abriu para perguntas entre os debatedores e foi ai que ficou animado. O respresentante da China questionou aos norte americanos se eles apoiavam a participação da China no ICANN de forma direta e ativa. Na réplica os “USAistas” devolveram a provocação perguntando sobre o aumento da burocracia para registrar domínios .ch. Ambos, China e USA decidiram usar a estratégia do “Leão da Montanha”: saída espetacular pela esquerda! Panos quentes e sorrisos nervosos marcaram a interação sino-americana.

Finalizado esse paines houve um intervalo para um cafezinho, bolinhos e pipi. Tem coisas que só fazem sentido quando se tem filhos pequenos. Pipi, é uma delas 🙂

A proxima sessão foi sobre monitoramento das conexões pelos ISP’s. O Sr. Hadi Asghari, da Universidade de Siracuse que fez um largo estudo sobre monitoria da no mundo feita de forma legal ou não pelos provedores de internet. Um dado curioso é que se parece óbvio que o país que mais monitora seja a China, também surpreende que o segundo país que mais monitora seja o Canadá. Coisas das democracias? Dois lados da mesma moeda ou qualquer outro clichê que possa ser usada para desqualificar qualquer coisa que não seja o modelo Yankee de democracia-capitalista.

Em seguida a Sra. Nicole van der Moulen da Universidade de Berlim, fez uma breve explanação sobre o seu estudo incompleto, que lista as principais desculpas utilizadas pelos provedores de internet europeus para fazer monitoria de suas conexões. Como sempre, pornografia infantil figura como o motivo mais utilizado. ela também deixou claro, que na maioria absoluta dos casos essa monitoria era feita sem respaldo legal de nenhum tipo. No momento oportuno perguntei se o seu studo reveleva algum sinal de um movimento simultâneo e orquestrado para gerar e aprovar leis, em diversos países, que embasem juridicamente essa monitoria. Sua resposta foi que não, mas que daria a devida atenção a essa questão de agora em diante.

Finalizada a sessão foi a hora do pesadelo, ou melhor, a hora do almoço. O Baku Expocenter é absolutamente isolado e no dia do pré-evento não havia almoço disponibilizado pela organização do IGF. Assim a organização do GIGANET foi surpreendida. Ação emergencial, e alguns telefonemas deram conta do fornecimento de marmitas, que foram bancadas por cada participante. Tudo na maior alegria. O detalhe ficou quanto à questão do tipo de comida. Eu aderi ao vegetarianismo a alguns meses e posso dizer que é muito bom, mas da um trabalho imenso. Neste caso, em particular, fui obrigado a comer apenas a salada e um pouco de purê batatas. Mas foi o suficiente.

A primeira sessão da tarde foi sobre a participação de pessoas conectadas sob regimes autoritários. A explanação do Dr. Navid Hassanpour da Yale University, buscou estabelecer como a sociedade conectada no Cairo conseguiu agir e reagir à oposição e ações imposotovas do regime de Mubarak. A pergunta a ser respondida é se a mobilização foi mais ou menos eficiente graças à conectividade da sociedade. Segundo o seu estudo ficou claro que os meios de conexção, como a Internet e os celulares eram de fato uma poderosa ferramenta de mobilização social. Ele descreveu, por exemplo, o blackout promovido pelo governo do Egito nas conexões telefônicas para dificultar a organização da sociedade na opupação da praça Tahir.

Em seguida as Dras. Katy Pearce e Sara Kendzior apresentaram um estudo feito no Azerbaijão sobre a influência do acesso a Internet na participação social na vida política e ativista. A comparação entre Público x Privado, Cívico x Político com Tendo acesso x Sem Internet foi feita para determinar o quanto a conectividade de fato influencia a sociedade. Elas descrevem que há sim um aumento no sentido de participação em ações filantrópicas, discussões políticas, voluntariado e consciência política. Elas também enftizaram que a permissividade dos governos define muito o tipo de conteúdo e profundidade das discussções políticas que são realizadas. O governo do Azerbaijão, por exemplo, não costuma filtrar conteúdo, ou proibir acessos de forma digital, deixando as ações de repressão física e policial reais fazerem o papel de censura. Em resumo, se um cidadão acessar aquilo que não deve deverá responder criminalmente por isso.

No momento adequado questionei se a busca de mecanismos de freiar e controlar as mobilizações coletivas ou individuais eram uma ação exclusiva de paises considerados autoritários? Afinal de contas as ações supostamente legítimas de muitos governos democráticos tem o mesmo objetivo, como por exemplo os projetos SOPA e PIPA.

A “poker face” de todos na mesa foi algo de impressionate. Somado a isso, a resposta falada foi: isso deverá ser discutida mais a fundo no decorrer do evento. Uma pena que a disposição para o debate no GIGANET tenha sido tão fraca.

Perdi a última sessão porque dediquei algum tempo ao convívio com os “nativos”. Um azerbaijano estava me contando sobre os problemas sociais do Azerbaijão. Especialmente se disparidade econômica entre a capital e o resto do país. Se queixou profusamente sobre a corrupção em todos os níveis. Comentou sobre o pagamento de propina para conseguir de graduar na escola e nas universidades. Comentou sobre a falta de liberdade de expressão e sobre a intolerância religiosa. Mas pontuou, cuidado, carinho e bons tratos das pessoas e mencionou que em Baku a distribuição de renda era equanime, ou seja, a disparidade entre ricos e pobres não era tão grande. Como principal atividade econômica apontou a produção de petróleo.

Por motivos não tão óbvios e por isso mesmo fundamentais, não darei detalhes sobre a fonte.

E foi “só” isso 🙂

Anahuac – @anahuacpg