Ativista OSI, saia do armário!

Toda ação tem uma reação de igual força, mas no sentido contrário. A máxima não se mostra verdadeira somente nas questões físicas, mas nas ideológicas também. Desde as revelações do Snowden tenho me empenhado ainda mais no ativismo do Software Livre e seus ideais filosóficos, porque acredito que somente ele pode nos salvar da dominação global. Nunca antes essa dominação foi tão evidente, esteve tão clara e nunca tivemos uma arma tão poderosa nas mãos.

A medida que acirro meu compromisso com o os preceitos do Software Livre fica claro que o movimento e suas manifestações estão infestadas de ativistas do Open Source que agem como agentes duplos e desqualificam, de forma sistemática, qualquer tentativa de politizar o tema. Quem sabe adotando um tom mais didático consigamos fazer com que os enrustidos do OSI se libertem e sejam felizes sendo o que são: ativistas pró Open Source!

Não há nada de errado em ser defensor do Open Source. A linha ideológica que cada um adota é uma escolha pessoal e vivemos em um mundo que prega a liberdade de escolhas, alinhamento ideológico, credo, orientação sexual, enfim, não se prive de exercer sua liberdade. Não se apegue ao conservadorismo moral do Software Livre, liberte-se, mostre-se, abra seu coração e mente, e aceite-se como você é: meio lá, meio cá. Hora defender a liberdade dos usuários, hora defender a liberdade das empresas de fechar os códigos, hora achar que privacidade é fundamental, hora achar que o Facebook é inevitável, hora publicar código pela GPL e hora palestrar contra os que criaram essa licença, hora escrever GNU/Linux e depois usar iPhone. Assuma sua “OSIbiedade”. Quanto antes melhor para todos.

Há um grupo de pessoas que não tem a menor dúvida sobre o que defende. Trata-se daqueles que entendem o que é o Software Livre, o praticam, o defendem, o exercem, o difundem e especialmente, o vivem. Não há margem a interpretações dúbias na definição ideológica do Software Livre pois a FSF deixa isso claro. Richard Stallman se encarregou de deixar isso claro. Software Livre não é a mesma coisa que Open Source, não pretende ser e não adianta berrar, agredir, discordar, sabotar, palestrar, apontar dedos, acusar ou confundir. São conceitos ideológicos diferentes.

Taxar os defensores do Software Livre de radicais é um eufemismo. É mentira. É uma ação deliberada para confundir os que não conhecem bem o conceito. Serve para assustar os iniciantes e os que não entendem de tecnologia. Software Livre é um movimento social e político que combate o mal, os podres poderes, a manipulação das massas, o acúmulo exacerbado de poder nas mãos de quem quer que seja. E o faz perpetuando a liberdade na sua licença de uso.

Se você acha que esse conceito não te representa, saia. Assuma-se OSI ou qualquer outra coisa. Só não faz sentido algum se proclamar ativista de algo que você não concorda e criticar quem concorda, por concordar.

Meus textos não visam os iniciantes. Visam você que esta em cima do muro jogando pedras em todos que estão em baixo, seja de um lado, seja do outro. Esse é o tamanho da sua incoerência: não usa Windows mas cospe na FSF. Você sabe bem o que está fazendo. Suas ações são pensadas e milimetricamente definidas. As vezes até por convicção de que suavizando o conteúdo ideológico se atingirá o objetivo de libertar as pessoas. Mas essa complacência não é Movimento Software Livre, tem outro nome: OSI.

Infelizmente o Movimento Software Livre ao redor do mundo apostou nessa complacência como meio de popularizar o seu uso, na esperança de que uma vez usuários, a consciência lhes chegaria por osmose. Estávamos errados, Ubuntu e Android são bons exemplos de massificação sem nenhuma consciência libertária.

Creio que está na hora dessa massa de OSIstas fazer o Fórum Internacional de Código Aberto e convidar anualmente, o sempre simpático Eric Raymond, e tê-lo como modelo ideológico. Assim poderiam fazer uma área de comunidades com Windows e Jogos proprietários, desfilar com seus iPhones, MacOS, fazer palestras criticando os “radicais livres”, divulgar pelo Facebook com milhares de “likes” e exercer todas as outras liberdades que tanto pregam e curtem. Honestamente acho que seria o ideal. Mas ir a eventos de Software Livre para criticar seus defensores, tentar forçar a barra para terem sua doutrina ideológica imposta sobre a dos demais, não me parece adequado. No fundo são vocês “OSIanos” que tentam impor sua liberdade de mercado e redes sociais devassas sobre os libertos. São vocês os que desrespeitam um evento com uma proposta clara de difundir os ideais do Software Livre. São vocês os que incitam os iniciantes a usarem software proprietário. São vocês os que fazem mal ao movimento Software Livre!

Hora dos assumidos, de ambos os lados deixarem claro suas preferências.

Hora dos enrustidos saírem do armário, sem medo, sem dubiedade, sem desculpas para assumir que não são Software Livre. Uni-vos!

Saudações Livres!