Pensamentos OSIstas

– Não me venha com blá, blá, blá! Só vale mesmo quem contribui com código! Seus Stallministtas!
– Usa o Actor então…
– Mas ele tem bug e não notifica!
– Corrige então, é Software Livre…
– Eu não! Fico no Telegram mesmo… até porque não tem ninguém o Actor


– Eu defendo a liberdade total do software! Pode até fechar que não tou nem aí!
– Então você usa o Linux…?
– Sim! É Open Source e eu tenho acesso ao código!
– Mas tem uma parte enorme do Linux que não é livre e não se tem acesso ao código…
– É isso mesmo e isso é bom! Porque eu defendo a liberdade total, até mesmo a de limitarem o meu próprio acesso ao software, porque isso é Open Source!
– Mas como Código Aberto pode ser fechado?
– Há, ta vendo!? Você é retardado que não entende nada disso… deve ser do GNU


– Todo software deve ser de código aberto!
– Deve ou tem?
– É a mensa coisa!
– Dever deixa opção para não ser. Ter, obriga que seja.
– Sou a favor da liberdade de escolha. Nada de obrigar ninguém a nada.
– Mas e o acesso ao código?
– Sempre! Aqui é Open Source PORRA!!!!
– Menos no Linux, que tem aquelas partes não acessíveis…
– Seu filhote de Stallman!!!!


– O acesso ao código é a única forma de garantir a segurança, pois permite auditoria.
– E esse iPhone que você usa? pode-se auditar?
– Estou exercendo a minha liberdade de escolha!
– A liberdade de não ter liberdade para auditar, portanto de não ter segurança?
– Seu GNUdiota!!!!!!!


– Gmail integrado ao Android, com Drive e Hangout é a perfeição!
– Mas você sabe que eles te leem todo seu conteúdo e isso é inseguro?
– Sei sim, mas não me importa! Não tenho nada a esconder!
– E porque você usa GNU?
– Porque é muito mais seguro!
– Então segurança importa para você?
– Claro que sim!
– Então porque você usar Gmail?
– Seu radical xiita!!!!!


– Eu sou um ativista do FOSS!
– Mas esse kernel que sua distribuição GNU usa está recheado de software não livre.
– É para que ele seja mais compatível e então mais gente possa usar Software Livre!
– Então você incentiva as pessoas a usarem software não livre?
– Não! Eu incentivo as pessoas a usarem FOSS!
– Mas e o software não livre que está embutido no kernel linux que você distribui?
– Isso não importa! Eu distribuo software não livre para ajudar a disseminar Software Livre!
– Você entendeu o que acabou de dizer?
– Não! Seu filhote de GNU destruidor de comunidades!


– Open Source é ótimo para as empresas!
– Mas não deveria ser ótimo para os usuários?
– Open Source é ótimo para os usuários também!
– Pode-se atender aos interesses das empresas e dos usuários ao mesmo tempo?
– Se a empresa for comprometida com o acesso ao código sim!
– Cite uma.
– Seu comunista!!!!!


– Estou organizando um evento de Software Livre!
– E tem Ubuntu?
– Claro que tem! Ubuntu é Software Livre!
– E os drivers não livres e o spyware?
– Isso são detalhes sem importância!
– Mas é um evento de Software Livre…
– É sim, mas não precisa ser 100% livre!!!!
– Então seria um evento 85,43% livre…
– Seu terrorista!!!!


– O kernel linux é Software Livre porque esta licenciado pela GPL2!
– Mas está cheio de software não livre lá…
– Não importa! A licença permite e você é livre para remover as partes não livres!
– Então distribuir software não livre com um Software Livre é de boa, desde que se possa remover?
– Claro que sim! Essa é a essência do Software Livre!
– Mesmo se a remoção da parte não livre deixe o software inútil?
– Sim!
– Então Windows 10 com Bash GNU também é Software Livre, certo?
– Seu feio!!!!!!


– hain, ficam polemizando e me chamando de OSIsta!
– Argumente que não é…
– Não dá para argumentar com esses radicais do Software Livre!
– Mas você não é do Software Livre?
– Sou! Mas não concordo com eles!
– Então você é OSIsta?
– De novo? Vou sair desse grupo de destruidores de comunidade!

 

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OSIstas rejeitam a filosofia Software Livre

Tenho denunciado sistematicamente que o Open Source é um movimento contrarrevolucionário que visa exterminar o Software Livre. Eu chamo seus membros de OSIstas, uma mistura de OSI com fascistas, porque eles agem de forma deliberada para eliminar os preceitos filosóficos do Software Livre tonando-o mais palatável ao mercado. Resumindo, são pessoas que não se preocupam com o bem estar social, mas com a adoção dos meios de produção colaborativa pelas corporações.

Um dos seus argumentos mais falaciosos é dizer que Open Source e Software Livre são a mesma coisa, o tal FOSS. Assim podem esconder seus objetivos mercantilistas por trás da visibilidade social do Movimento Software Livre. Enganadores. Os OSIstas rejeitam a filosofia Software Livre, disse Stallman.

No dia 28 de Abril de 2016 o escritor Paul Gillin fez a seguinte entrevista com Richard Stallman. A tradução livre é minha.


Entrevistar Richard Stallman é um desafio.

As anotações para a entrevista tem uma meia dúzia de advertências e pedidos, a maioria relacionadas ao cuidado do Stallman em não ser identificado como um ativista do Open Source. Há também uma longa lista de artigos e FAQ’s que ele sugere a leitura no site da GNU.org que descrevem cuidadosamente a diferença entre Software Livre e qualquer outra definição. E Stallman não hesita em corrigir os entrevistadores no que diz respeito às terminologias. Se não for completamente livre ele não apoia.

A diferença é, de certa forma irônica, porque muito do trabalho realizado por Stallman nos últimos 30 e poucos anos, contribuiu muito para o crescimento do Open Source como o modelo de licença preferido das novas empresas de software. Em 1982 ele lançou o Projeto GNU, esforço de desenvolvimento de software colaborativo com o objetivo de criar toda uma biblioteca de softwares livres. O projeto produziu o sistema operacional GNU e milhares de programas, incluindo o GNU Compiler Collection (GCC) uma tecnologia fundamental que tem papel de destaque no crescimento do software livre. A prestigiada Association for Computing Machinery (ACM) anunciou ontem que Stallman recebeu o prêmio Software System Award da organização, pelo desenvolvimento do GCC.

Stallman é descrito frequentemente como defensor do código aberto, chegam até a designar-lhe sua paternidade. Essa é uma descrição que ele nega com veemência. “Quero que as pessoas me associem ao Software Livre, não ao Código Aberto”, disse. “Eu não quero me pronunciar sobre o Open Source, exceto para deixar claro que ele é diferente do Software Livre”.

Ou, ainda, dizer que o GNU.org soma-se ao Open Source: “As iniciativas do Movimento do Software Livre são pela sua liberdade computacional como uma questão de justiça. O não movimento do código aberto não faz campanha de nada, para nada.” Resumindo, Software Livre é tanto uma filosofia quanto um modelo de licenciamento. “Software Livre não é software gratuito até porque o preço não é a questão”, diz Stallman. “Liberdade é o que importa.”

Para que o software seja realmente livre, “os usuários tem que ter o controle do programa para executá-lo como quiserem e estudar o código fonte do programa e poder modificá-lo”, diz Stallman. “Isso se baseia em duas liberdades essenciais: fazer cópias exatas e poder copiar e distribuir suas versões modificadas como quiser.”

Qualquer coisa a menos “subjulga o usuário”,diz Stallman, e isso viola a liberdade como um todo.

SiliconANGLE entrevistou Stallman no seu escritório em Boston.

Levando em consideração a sua aversão em ser associado ao open source, o fato é que as barreiras para se ter acesso a softwares sofisticados estão caindo. Nós estamos progredindo em direção aos seus objetivos?
Nós estamos falando sobre ter acesso a software livre e não subjugante? Se o software coloca o usuário sob o comando do dono do programa, então eu não vejo isso como progresso.  Nós temos feito progresso em algumas áreas e em outras temos retrocedido. Agora pode-se comprar um computador exclusivamente com softwares livres nele. Ele tem uma BIOS livre, drivers livres, aplicativos livres e até jogos livres. A Free Software Foundation tem quase 4000 membros atualmente, o que foi um crescimento de algumas centenas no decorrer do último ano. [Por outro lado], dispositivos móveis da Apple e Microsoft são completamente fechados. Há uma versão livre do Android chamada Replicant, mas a interface para seus periféricos é secreta. Novos tipos de aceleradores gráficos de PC se comunicam pela rede mesmo quando o computador está desligado.

Então você está dizendo que ampliar o acesso não é um progresso?
Facilitar que as pessoas usem tecnologias que as controle e espie não é um passo adiante para a sociedade. Eu discordo da ideia de fazer da inclusão digital um objetivo se o preço a pagar for o controle de acesso.

A Internet tem nos tornado mais livres?
Os sites na Internet criaram novas formas de supressão, infelizmente. Eu não quero me identificar para acessar a Internet, portanto há coisas que eu não posso fazer. Eu não posso ver as coisas qua as pessoas postam no Facebook porque eu não concordo com os seus termos de prestação de serviços. Se um serviço é executado por outra pessoa, você não tem sequer a possibilidade de controlá-lo. Snowden revelou sob quanta vigilância nos encontramos. Ela é muito maior do que a que existia na União Soviética. Se o governo souber, quem vai onde e quem fala com quem, será o fim da democracia. Precisamos de denunciantes para revelar esse tipo de coisa para que possamos impedí-las, mas o governo chama essas pessoas de criminosas.

Dado o momento atual do open source, não seria mais produtivo se você colaborasse com os defensores do open source em vez de salientar suas diferenças?
O não-movimento do open source foi iniciado em 1998 como uma reação ao nosso movimento. Eles gostam do Software Livre, mas eles discordam dos nossos motivos para defendê-lo. Na prática, open source e Software Livre são basicamente equivalentes, mas as pessoas do open source rejeitam nossa filosofia. Eles acham certo se alguém quiser escrever extensões privativas ao seu software. Então nós temos que nos diferenciar deles.

Seus objetivos são realistas?
É muito fácil olhar para uma meta de longo prazo e dizer que ela é impossível. Mas nunca se vence sem tentar. Conquistar o mundo não é minha definição de sucesso. O sistema operacional GNU Linux é usar por um, talvez dois porcento dos usuários de computador. Isso é um sucesso ou não? Considerando que começamos de basicamente zero, eu diria que temos tido um sucesso estrondoso comparado com nosso ponto de partida.

Desenvolvedores de Software Livre tem se desdobrado para encontrar modelos de negócio viáveis. Remover o lucro não inibe a inovação?
Você está misturando dois problemas diferentes. O lucro motiva as pessoas a escrever software que ninguém escreveria porque este subjuga os usuários. E isso é realmente bom? Suponha que conheçamos um modelo de negócios para fazer comida que envenena as pessoas e não conheçamos um bom modelo de negócios para fazer comida que não envenena as pessoas. É melhor fazer mais veneno ou menos comida? Sua pergunta deixa implícito que software é algo bom, mesmo que remova a liberdade. Eu não aceito isso.

O que um gestor de TI pode fazer para promover a causa do Software Livre?
Não usar software privativo que os coloque sob o poder de outros. Desenvolvedores de software privativo tratam os usuários como otários. Eles provém de um meio sem nenhuma vergonha. E não é apenas controle: software privativo é quase sempre cheio de malware. Eles fazem esses programas para te espionar, te limitar e nao permitir que você faça determinadas coisas com seu computador. Há dúzias de exemplos bem documentados em http://www.gnu.org/proprietary.

Hoje em dia temos todo o conhecimento do mundo na ponta de nossos dedos. Pode-se pensar que isso nos faria uma sociedade mais esclarecida, mas os Estados Unidos está mais polarizado agora do que durante a Guerra do Vietnam. Isso te surpreende?
Faz sentido quando você entende a forma como o sistema rastreia as pessoas está feito para coletar informações e organizá-las em bolhas onde elas, as pessoas, só veem aquilo com o qual elas concordam. Isso é o filtro bolha. Sistemas não deveriam poder rastrear as pessoas. Eu não me importo de pagar para fazer download de alguma coisa, desde que eu possa fazê-lo anonimamente. Não deveria haver restrições nem gestão de direitos digitais.

Fonte: http://siliconangle.com/blog/2016/04/28/gnu-founder-stallman-open-source-is-not-free-software/

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Alertas de sistema no Actor IM

Se você ainda não conhece o Actor IM, então a hora é essa. Trata-se de um Instant Messenger 100% livre nos moldes dos famigerados WhatsApp e Telegram (não sei qual dos dois é mais devasso). Por ter seu servidor livre, também, ele te permrite instalar suas próprias instâncias cliente+servidor. Maiores informações você encontra no site deles: ACTOR IM

Nunca usei o WhatsApp, e abandonei o Telegram assim que descobri o Actor. Então no último ano venho aprendendo mais e integrando ele cada vez mais no meu cotidiano pessoal e profissional. Há algum tempo postei um artigo sobre virtualização com OpenVZ, e chegou a hora de automatizar a criação e ativação de containers (máquinas virtuais) em função do número de acessos que o site recebe.

Funciona muito bem, assim quando a quantidade de acessos chega a X por servidor do cluster, o programa ativa ou cria um novo container, baixando a média de acessos que cada servidor atende, balanceando dinamicamente a carga, distribuindo-a igualmente para todos os servidores do cluster. Mas fazer isso e não avisar não é aceitável, então ativei minha “velha” rotina de alertas por e-mail. Foi então que me passou pela cabeça: que legal seria receber alertas como esse no Actor!

Fiz uma pesquisa e achei este link da documentação do Actor chamado Web Hooks – Integration token for groups onde ele explica que via POST pode-se enviar uma mensagem para um grupo do Actor. Não era exatamente o que eu tinha em mente, pois a ideia era enviar uma mensagem para mim mesmo e não para um grupo, mas, sou brasileiro e não desisto NUNCA! 🙂

  1. Criei uma segunda conta no Actor usando o e-mail de envio de alertas. Assim, agora tenho duas contas no Actor: uma via número de telefone e outra via e-mail;
  2. Com duas contas pude criar um grupo;
  3. No grupo, no final da lista de membros, está o “Integration Token”. Trata-se de uma URL que nos permite interagir diretamente com um grupo do Actor;
  4. Me certifiquei de ter o comando curl instalado no meu GNU.

P.S. O Alessandro Feitosa AKA PHP com Rapadura, percebeu que pode-se criar um grupo contendo só a sua conta padrão. Como não sabemos se é um bug ou não, aproveitem!

Com esses “ingredientes” era hora de testar:


# curl -H "Content-Type: application/json" -X POST -d '{ "text": "Alerta" }' URL_do_integration_token_aqui

Lindo, simples e muito funcional!

Usem Software Livre, 100% Livre!

Saudações Livres!

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Bom Sol OSIstas

Então um dia ele acorda, lava o rosto e ao encontrar com a família deseja bom dia. Segue-se o seguinte diálogo:

– “Bom dia, querida família!”.

Eles se entreolham e com caras meio tortas de desânimo respondem

– “Bom Sol”

Com um sorriso maroto, convicto de que se trata de uma pegadinha familiar, ele completa

– “Bom Sol, entendi, de dia tem Sol, em vez de bom dia, bom Sol. Faz sentido, muito boa essa piadinha!”

– “Ué Papai?, Piadinha não. Ninguém mais diz bom dia. Agora é bom Sol.” Diz o filho mais novo.

– “Como assim? Desde quando a definição de dia mudou? Dia é dia, certo?” ele responde.

– “Querido, calma, não se exalte. Veja bem, dia e Sol são a mesma coisa. Sem o Sol não haveria o dia, afinal de contas o Sol faz o dia. Então podemos desejar bom dia ou bom sol. É igual” tentou contemporizar a esposa.

– “Mas dia é um conceito temporal, definido pelas horas do dia que se converte em uma saudação afetuosa. O Sol é uma estrela, um copo celeste. Entendo as similaridades, mas são coisas diferentes!” ele argumenta de forma enfática.

– “Como você é radical! bom sol é a evolução natural de bom dia! Bom dia é velho, restritivo e ideológico demais!” justifica, impaciente a filha mais velha.

– “Ideológico? Restritivo? Como assim? Do que você está falando?”

– “O dia é limitado, só tem 24 horas. E se for considerar os momentos com luz, então estamos falando de menos de 12 horas. Por outro lado, o Sol é basicamente eterno, brilha o tempo todo e está disponível para todos. É muito maior, mais livre e mais legal.” Explica o caçula.

– “Caramba. Bons argumentos, mas isso justifica mudar o nome da saudação, sua definição e….” desenvolvia ele, quando é interrompido.

– “Claro que sim! Mas você pode dizer bom dia se achar melhor. É velho, mas as pessoas vão entender, afinal de contas, bom dia e bom sol, são a mesma coisa”. Define a esposa.

– “Pera um pouco! Como assim são a mesma coisa? Vocês podem ter bons argumentos, e até entendo que há mudanças idiomáticas, mas não são a mesma coisa. O dia é o dia, e o Sol é o Sol. Um bom Sol é desejar uma estrela mais brilhante? brilhante por mais tempo? mais quente nos países mais frios e mais frio nos países quentes? Acho que vocês podem inventar um novo termo para desejar um bom dia para as pessoas, mas não podem simplesmente colocar dois conceitos diferentes para significar a mesma coisa. Isso confunde as pessoas.”

– “Confunde nada! Você é quem está sendo intransigente!” retruca a esposa.

– “Mas quem invetou isso de bom sol? de onde saiu isso?” questionou ele.

– “Vish! Papai, isso é o maior viral da Internet, esta no Facebook, Instagram, Snapchat e Youtube. É o maior sucesso dos últimos anos! Olha aqui…” a filha mais velha abre no tablet um vídeo de 30 segundos. Uma propaganda da Cerveja Sol.

– “Puts! Então quer dizer que o mundo decidiu mudar a saudação bom dia, por bom sol, graças aos interesses comerciais de uma cervejaria?”

Nesse momento a esposa já apitava de dentro do carro e os filhos foram embora. Ele ficou ali, plantado, pensando nas implicações.

Software Livre é um movimento social e político que objetiva mudar o mundo empoderando o usuário final. Open Source defende que o modelo de desenvolvimento colaborativo, permitido pelo acesso ao código, é muito mais eficiente e produtivo para as empresas. Assim percebe-se claramente que o viés de interesse dos dois movimentos é antagônico. Enquanto um tem cunho social o outro é mercadológico. Se um dia o Software Livre foi acusado de ser comunista, o Open Source é a essência capitalista. O elo em comum é a liberdade do código. Mas não há como estabelecer uma relação evolutiva entre os movimentos. Quero dizer que um não é a evolução do outro. Eles usam a mesma “ferramenta” com objetivos antagônicos. É como usar um martelo para construir ou destruir.

Num mundo ideal, a liberdade de opinião é inalienável. E citando Voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Então não tenho  a mínima pretensão de calar ninguém, apenas apelo por lisura, decência e honestidade. Não confunda as pessoas. Ao menos não deliberadamente.

Se Software Livre e OpenSOurce são movimentos ideologicamente antagônicos, porque colocá-los como sinônimos? Trata-se de campanha midiática, marketing, enganação de mercado, perfilamento de conceito de produto, coisas do “business”. Como o Software Livre tem um apelo social, aquela coisa de ajudar a todos e ser bom para todos, a OSI faz toda a força possível para pegar carona nessa imagem de politicamente corretos. Essa é uma estratégia de marketing super comum. Os antigos comerciais de TV de cigarro, que mostravam uma galera jovem e saudável, fazendo esportes radicais e depois fumando, é um excelente exemplo.

Que fique claro: OSI é pró mercado e empresas, o Software Livre é pro social e pelo usuário final. Cabe a você escolher um lado. O problema está nos falsos ativistas que dizem que Software Livre e OSI são a mesma coisa, quando não são. Esses são os OSIstas, os enganadores.

E há muitos deles, especialmente no Brasil: Alberto Azevedo, Sílvio Palmieri e Hélio Loureiro – só para citar alguns – são velhos OSIstas. Eles defendem com todas as suas forças que o mercado é o fundamental e que o Software Livre está velho, vencido, ideologicamente ultrapassado, radical demais. Eles também sugerem que o OpenSource é a evolução natural do Software Livre e que é importante, e até mesmo desejável, distribuir software não livre para ajudar a disseminar e atrair mais usuários para o Software Livre.

Qualquer semelhança com as velhas raposas da política não é mera coincidência. Esses caras estão para o Software Livre como os políticos José Serra, FHC e Aloysio Nunes estão para a esquerda. Dantes militantes comprometidos com os anseios sociais, presidentes da UNE, guerrilheiro do Araguaia e professor de Sociologia, esses três representam, hoje, o que há de mais nefasto, entreguistas e lambe botas de nossa república. Serra e Aloysio com seus projetos de entrega do pré-sal aos interesses estrangeiros e membros do “governo” golpista de Michel Temer. FHC como o maior privatista da história do Brasil. Canalhas!

Mas sempre há interessados em engrossar as fileiras dos enganadores. O mais novo OSIsta é o jornalista Kemel Zaidan. Em um artigo intitulado “O Software Livre venceu” ele desfila quase toda a lista de argumentos comuns usados para confundir e enganar as pessoas.

  1. Ele se refere ao sistema operacional como Linux. Sabemos que Linux é um kernel e não um SO. O nome do SO é GNU, mas “isso não vem ao caso”;
  2. O texto usa a adoção de softwares OpenSource pelas empresas como argumento de sucesso do Software Livre. Por que, se são coisas diferentes?
  3. Ele conclui dizendo que o Software Livre passou a ser mainstream. E ai se estabelece a tentativa de diluir os dois conceitos, fazendo parecer que Software Livre e OSI são a mesma coisa.

É sutil o suficiente para enganar até os mais atentos. É feito com muito esmero e cuidado. É coisa de profissional, afinal de contas Kemel é um jornalista experiente, foi editor da Linux Magazine, e já foi um arraigado ativista de Software Livre, tendo participado de dezenas de fóruns e eventos, inclusive como palestrante. Então não se trata de uma confusão inocente, nem um ato de ignorância. É deliberado.

O detalhe é que um ativismo honesto pode ser feito. Em um artigo publicado em janeiro, chamado “Linux and open source have won, get over it” o Steven J. Vaughan-Nichols já fazia a mesma análise do Kemel, mas de forma clara, como um bom ativista OSI, sem enganar ninguém: vejam que ele não cita Free Software nem uma única vez. Sequer aparece na página. Então eu posso concordar com a análise Steven, afinal de contas o objetivo da OSI foi alcançado e o Linux e a OSI venceram, mas não o Software Livre, pois nenhuma das vitórias descritas são objetivos do Software Livre.

Então fica meu apelo aos OSIstas: saiam do armário!

Saudações Livres!

 

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